Pior escola no Rio de Janeiro não tem água nos banheiros

Falta de interesse dos alunos dificulta aulas, dizem professores do Ciep General Osório
Sérgio Vieira
escola Ciep

A escola com pior posição no ranking do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) no Estado do Rio de Janeiro é o Ciep Brisolão General Osório, de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. O colégio público obteve 477,82 pontos na classificação geral, 59% a menos do que o líder São Bento, escola tradicional da cidade do Rio.


Entre os problemas no Ciep apontados por alunos e professores para a reportagem do R7 está a falta de água encanada nos banheiros há meses. Uma aluna de 21 anos do terceiro ano do ensino médio afirma que ninguém consegue lavar as mãos após as refeições, com a falta de água.
- Não dá para lavar as mãos porque falta água no banheiro. Escovar os dentes, nem pensar. O pior é depois da aula de educação física, nós não podemos nem usar o vestiário, porque ele está cheio de cadeiras velhas e empoeirado.
Por outro lado, os estudantes afirmam que a qualidade da merenda é boa. Um aluno de 16 anos, matriculado no primeiro ano do ensino médio, relatou que o almoço foi servido com arroz, feijão, carne com batata, chuchu, cenoura e de sobremesa, goiabada. A refeição é invejável, se comparada a de outras escolas públicas do país. Os dois alunos pediram para permanecerem anônimos na reportagem.

Os professores concordaram em falar com o R7, desde que não fossem identificados. Para eles, a infraestrutura do colégio - como na maioria das escolas públicas - deixa a desejar. Entretanto, para eles, esse não é um problema essencial para o mau desempenho dos alunos.
Segundo os docentes, a falta de comprometimento dos estudantes e de perspectiva a respeito do futuro impede que os jovens se esforcem nos estudos. De acordo com uma professora, falta ainda a participação mais próxima dos pais.

- A merenda é boa, o prédio do colégio está em condições aceitáveis... O problema são os alunos. A direção faz o melhor dentro do que lhe é oferecido, e os professores também se esforçam. Os alunos têm pouca motivação, pois não têm a visão adequada de que precisam estudar. Eles ainda não perceberam que estudam para eles, não para seus pais. Falta comprometimento com a vida deles.
No total, 29 alunos da escola da rede estadual participaram do Enem, mas apenas 26 fizeram a redação.
Para evitar distorções, o R7 considerou o corte de 50% ou mais de participação dos alunos no Enem como forma de comparar escolas em situação parecida. A recomendação vem do ministro da Educação, Fernando Haddad, que sugeriu ser "coerente" comparar escolas dentro da média nacional de participação. Os dados do Enem são de 2010, os últimos divulgados pelo MEC (Ministério da Educação). As notas das escolas tipo EJA (Ensino de Jovens e Adultos, o antigo supletivo) não foram divulgadas.
Sem interesse
Segundo um aluno de 15 anos, do primeiro ano do ensino médio, o maior problema não está na direção ou nos mestres da escola, mas sim nos próprios alunos - que não demonstram interesse em aprender, na opinião dele.

- Os professores querem ensinar, tentam ensinar, demonstram interesse, mas os alunos não querem aprender. A infraestrutura do colégio é boa, não temos do que reclamar.

A opinião é compartilhada por outra aluna, do terceiro ano do ensino médio, que estuda no Ciep Brisolão há três anos. Segundo ela, “os alunos, frequentemente, passam dos limites quando se trata de bagunça, mas pelo menos não há vandalismo na escola”.

Além do barulho dos alunos, o ruído externo incomoda. No dia em que a reportagem esteve no local, por mais de uma hora e meia, um estabelecimento comercial próximo tocava música alta.
A reportagem do R7 procurou a diretora da instituição, Zenith Gomes, que preferiu não se manifestar sobre o resultado. A Secretaria Estadual de Educação também não comentou o resultado e os problemas de infraestrutura do Ciep.

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