Rio domina ranking das melhores escolas no Enem

Das 20 maiores notas, nove são cariocas. Resultado reforça fracasso do ensino público

Por Maria Luisa Barros

Das 20 melhores escolas de Ensino Médio do Brasil, nove estão no município do Rio, segundo o resultado do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). O estado de Minas Gerais tem cinco instituições nesta lista e o de São Paulo, apenas duas. O resultado, divulgado pelo Ministério da Educação (MEC), mostra que no ranking dos colégios cariocas com as maiores médias na prova objetiva e na redação, todos são particulares. A capital tem ainda o melhor Ensino Médio do Brasil. Pela quarta vez, o Colégio de São Bento ficou em primeiro na avaliação geral, à frente de 26.098 escolas no País.
A segunda melhor unidade foi o Instituto Dom Barreto, no Piauí, seguida pelo Colégio Vértice, em São Paulo. As segunda, terceira e quarta posições no estado do Rio ficaram com os colégios Cruzeiro, no Centro, Santo Agostinho, na Barra da Tijuca, e Andrews, no Humaitá. A classificação levou o Rio novamente para o pelotão de elite do ensino. A péssima notícia é que, mais uma vez, o desempenho dos estudantes reforçam o fracasso do ensino público fluminense. 
Entre as 100 instituições do Rio com as menores médias na prova objetiva e na redação, 98 são da rede estadual e duas particulares. No ranking estadual, a melhor escola pública do Rio é o Colégio de Aplicação da Uerj, seguido pela Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio, mantida pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e pelo Colégio Pedro II, da unidade Humaitá.



No ano passado, 3,2 milhões de alunos participaram do Enem, dos quais 1 milhão concluíam o Ensino Médio. O ministro da Educação, Fernando Haddad, considerou positivo o resultado. “Evoluíram a participação e a média nas provas objetivas, que subiu de 501 para 511 pontos”.

Quatro listas conforme adesão de estudantes


Este ano pela primeira vez o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), responsável pela aplicação do Enem, decidiu separar as notas das escolas em quatro grupos de acordo com o percentual de participação dos alunos no exame (até 25% de participação; 25% a 50%; 50% a 75%, e mais de 75%). 

De acordo com o órgão, para algumas escolas, o número de estudantes que participaram do exame é muito pequeno, o que torna a nota média pouco representativa do conjunto de estudantes da escola. Para outras unidades, mesmo com alta taxa de adesão no exame, os alunos participantes podem não representar o desempenho médio que a escola obteria caso todos os estudantes participassem, considerando o caráter voluntário da prova. A medida também evita que escolas selecionem os melhores alunos para fazer a prova.

Rede federal se destaca e CAp/Uerj é exceção no estado
O resultado do Enem mais uma vez reforçou a liderança do ensino oferecido pelo governo federal. No estado, das 20 melhores escolas públicas, 19 são federais e de ensino técnico. Apenas o Instituto de Aplicação Fernando Rodrigues da Silveira, mais conhecido como CAp/Uerj, no Rio Comprido, Zona Norte, é estadual. 


A unidade mantida pela universidade ficou em primeiro lugar no ranking das públicas. A maioria dos professores tem dedicação exclusiva e mais de 90% têm mestrado ou doutorado. “Não focamos nosso trabalho para estar no ranking do Enem. O resultado é consequência do trabalho que começa na alfabetização e vai até o Ensino Médio”, reconhece o diretor da escola, Miguel Tavares Mathias. Os alunos do Ensino Médio estudam em horário integral e contam com laboratórios de Química, Física e Biologia. “Lamentamos que o ensino de qualidade não seja oferecido em toda a rede estadual”.

Primeiro lugar prima por formação cultural de alunos
Ensino em tempo integral (7h30 às 16h30), provas aos sábados, reforço na leitura e matemática desde a infância e disciplinas como artes e música, que primam pela formação moral e cultural dos seus mais de 1.000 alunos, são parte da receita do sucesso do tradicional Colégio de São Bento, mantido por monges beneditinos e onde só entram meninos.


Aprovados no vestibular de Direito na Uerj este ano, os ex-alunos Luis Felipe Reis, João Gabriel Pontes, José Carlos Altomari, Francisco Peixoto, Matheus Varaschin e Henrique Rondinelli, todos com 18 anos, são gratos ao colégio. “Houve nosso esforço. Mas passei 10 anos aqui, onde tive minha base e me formei como ser humano. É a soma do preparo dos estudantes com a formação do cidadão”, disse João, que estudou desde o 2º ano do Ensino Fundamental.

A supervisora pedagógica Maria Eliza Penna Firme diz que a educação desde os primeiros anos faz a diferença. A escola não suspende aulas nem entre os feriados. Para o coordenador do Ensino Médio, Pedro Araújo, o que resume o São Bento foi o que o falecido reitor Dom Tadeu disse: “Aqui se faz o que nos outros colégios saiu de moda. Ensinar e cobrar”.

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