"Sou inocente", diz ex-comandante suspeito de mandar matar juíza


Tenente-coronel foi preso e exonerado do Batalhão da Maré

Evelyn Moraes / R7
carro juíza
Juíza foi assassinada com 21 tiros quando chegava em casa

O tenente-coronel Cláudio Oliveira, ex-comandante do Batalhão de São Gonçalo (7º BPM), que foi exonerado do Batalhão da Maré (22º BPM) e preso na madrugada desta terça-feira (27) por suspeita de mandar matar a juíza Patrícia Acioli, afirmou que é inocente ao chegar à Divisão de Homicídios, na Barra da Tijuca, na zona oeste. Ele deve prestar depoimento ainda nesta terça-feira.
- Eu acredito na Justiça. Sou inocente e tenho certeza que isso será provado.
O juiz Peterson Barroso Simões decidiu decretar a prisão do tenente-coronel Oliveira após ouvir o depoimento de um dos dois cabos presos. O cabo, que estaria ameaçado de morte, resolveu contar tudo e participar de uma antecipação de prova, obtendo o direito à delação premiada (que inclui provável redução de pena).

Ele teria dito que usou duas pistolas no crime. A perícia da Polícia Civil constatou que Patrícia foi assassinada com 21 tiros de pistolas 40 e 45 e de revólver 38. De acordo com a investigação, as munições usadas no crime foram desviadas do 7º BPM. 
Questionado sobre a delação premiada, o tenente-coronel Oliveira disse não ter "conhecimento de nenhum depoimento".

Bruno Rousso

Ele deve cumprir a prisão temporária em Bangu 8, no complexo penitenciário de Gericinó, zona oeste do Rio. Ele teve a prisão decretada com outros seis policiais militares, também suspeitos de participar da morte da juíza. Até as 13h, somente um dos PMs ainda não havia sido preso.
Suspeito de ser o mandante do assassinato, Oliveira está detido na carceragem do Batalhão de Choque, no centro da cidade, desde o início da madrugada. Ele teve a prisão temporária de 15 dias decretada no fim da noite de segunda-feira (26) pela 3ª Vara Criminal de Niterói, na região metropolitana.

Os seis PMs, que atuavam no Batalhão de São Gonçalo sob a tutela do então comandante, faziam parte do GAT (Grupamento de Ações Táticas) e também são suspeitos de forjar um auto de resistência para acobertar a morte em junho de Diego Belieni, 18 anos, morador do morro do Salgueiro, em São Gonçalo.
Outros três policiais militares, detidos no dia 12 deste mês, já estão presos por suspeita de participação na morte da juíza e no assassinato do jovem do Salgueiro. O tenente Daniel Santos Benitez Lopes e os cabos Sérgio Costa Júnior e Jeferson de Araújo Miranda estão em unidades prisionais diferentes para evitar que combinem versão para depoimentos futuros. Com as novas prisões, sobe para dez o total de suspeitos.

Corregedoria da PM

O corregedor da PM, coronel Ronaldo Menezes disse que, por enquanto, não será instaurado um procedimento administrativo para apurar a conduta do tenente-coronel e dos outros seis PMs.
- Por enquanto, o que temos é o mandado de prisão. Não tivemos acesso a nenhum documento que tenha informações suficientes para instaurar um procedimento. O processo corre sob segredo de Justiça.

O processo administrativo dura cerca de 40 dias para ser concluído. A Polícia Militar, no entanto, não tem competência para demitir oficiais, o que cabe à Justiça. Antes, a situação do oficial passa por uma avaliação do secretário de Segurança, José Mariano Beltrame. Já os praças (soldados, cabos e sargentos) podem ser expulsos da corporação por determinação do comandante-geral. 
A Corregedoria da PM recebeu o mandado de prisão contra o tenente-coronel no fim da noite da última segunda-feira (26).


Cláudio Luiz Oliveira se apresentou no Batalhão de Choque a pedido do comandante-geral, coronel Mário Sérgio Duarte. 
Com a prisão de Cláudio Luiz de Oliveira, o sub-comandante do 22º BPM, tenente-coronel Isidro, assume a unidade. O tenente-coronel preso tinha 26 anos de Polícia Militar e, atualmente, não respondia a nenhum processo na Corregedoria.

Assista ao vídeo:

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