Delegado de Búzios alerta

"Cada vez mais adolescentes e jovens participam de crimes violentos"

Na semana do policial civil, a revista Visão La Flora conversou com o delegado Mário Lamblet, titular da 127ª DP de Armação dos Búzios, que fez um alerta a sociedade para o aumento gradativo de jovens envolvidos com a criminalidade, um dos problemas sociais mais graves que a população brasileira enfrenta atualmente. Para Mário Lamblet, os casos que mais lhe chamaram a atenção desde que assumiu a 127ª DP, foram os latrocínios de dois taxistas, um de Cabo Frio e outro de Búzios, onde os envolvidos tinham 13, 19 e 20 anos respectivamente.


Brendo, 16 anos, era o bandido mais procurado de Búzios

Na semana passada, policiais civis apreenderam, em Cem Braças, o último participante do atentado ao DPO de Manguinhos, ocorrido na madrugada de quarta-feira (14). Trata-se de um menor, de 16 anos. Ele confessou que estava com mais dois elementos maiores de idade, (que foram encaminhados à Polinter em Araruama) no carro, de onde foram disparados os tiros de 38. O Ministério Público achou melhor encaminhá-lo à família, dada a participação ‘insignificante’ que o rapaz teria tido no episódio; ele não ficará detido. O ataque ao DPO foi feito em represália à morte de Brendo de Souza Pereira, contumaz traficante de Búzios. Segundo o jornal O Globo, quando tinha 14 anos, Brendo foi interrogado pelo juiz João Carlos Corrêa, e a ele prometeu durante o interrogatório que, quando saísse do Instituo Padre Severino, o mataria. Brendo havia saído da instituição há seis meses.
Na terça-feira (13) por volta das 23h, o traficante e sequestrador Brendo de Souza Pereira, de 18 anos, foi morto, de acordo com relatos, durante confronto com policiais do 25º BPM, no bairro da Tartaruga. Em represália à sua morte, traficantes atacaram a tiros o Destacamento de Policiamento Ostensivo (DPO) que fica em Manguinhos, na madrugada de quarta-feira (14). 

Logo após o ataque uma pessoa foi presa: Rafael de Souza Guimarães, vulgo Pandora, de 23 anos. Interceptado no bairro da Rasa por uma patrulha, Rafael dirigia o Fiat Uno usado no crime. De acordo com sua declaração dada à polícia, os tiros que atingiram o DPO foram disparados por Diego Gonçalves de Busquet, o Dieguinho, de 22 anos, que, após intensa operação policial em vários bairros de Búzios, foi entregue por uma denúncia anônima e pego ainda na quarta-feira, pela manhã, em um ônibus indo para Cabo Frio, altura da Baía Formosa. Diego, que já respondia a inquéritos por tráfico de drogas e crime contra o patrimônio, responderá também por atentado. No momento do ataque, só havia um PM no local. Ele conseguiu escapar dos dez tiros que acertaram vidros e fachada do prédio, jogando-se no chão.  

O traficante Brendo, que atuava em Cem Braças e no Capão, já possuía 15 anotações na polícia por crimes cometidos quando ainda era menor de idade. Segundo divulgado pelo Jornal Extra, aos 13 anos ele foi apreendido após matar o próprio tio, conhecido como Renato, teria sido morto por policiais em um tiroteio, no qual Brendo atingiu outra pessoa. Ao ver que o tio havia morrido, pegou seu casaco, o vestiu, e disse que ‘dali pra frente, quem mandava no local era ele’. 

Brendo deixou o Instituto Padre Severino, na Ilha do Governador, há seis meses, quando completou a maioridade. Em liberdade, trocou tiros pelo menos por três vezes com a PM. No sábado passado (10), ele sequestrou um menor e o manteve amarrado em uma árvore, no Capão, até que chegaram os policiais. Brendo teria soltado o garoto, e a mãe deste fez a denúncia aos PMs, de que ele estivera em cativeiro. Na ocasião também houve troca de tiros, e Brendo estaria, desde esse dia, escondido na casa de parentes, na Tartaruga.

Segundo Mario Lamblet, Brendo era o bandido mais procurado de Búzios por sua ligação com o tráfico de drogas, sequestros e roubos. A tensão agora paira sobre a disputa que se arma pelo comando das operações do tráfico de drogas na cidade.  





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Como andam os inquéritos dos casos em Búzios?
Os inquéritos estão sendo trabalhados dentro das nossas limitações. Quando assumi a delegacia, existiam quatro policiais exclusivos para esse trabalhão. Hoje passei a ter três exclusivos e doze para os inquéritos novos, o resultado foi um aumento de inquéritos concluídos.

Quais os dados estatísticos do índice de violência?
Os dados tem sido divulgados pela SSP (Secretaria de Segurança Pública). Tivemos um pequeno desvio em relação a meta estabelecida, claro que não significa aumento de criminalidade, mas estamos trabalhando para corrigir o desvio apresentado.

Com base na análise dos registros houve um acréscimo ou decréscimo dos crimes em geral?
Temos percebido um pequeno acréscimo (em torno de 50 ocorrências) em relação ao ano de 2010, entretanto tivemos várias re autuações (crimes da antiga 127 DP) que voltaram a ser investigados, e fazendo uma diminuição desses crimes estaríamos no mesmo patamar do último ano.

E com relação ao índice de homicídios?
Na alta temporada houve um desvio, mas tivemos êxito na elucidação de 70 % dos crimes; atualmente o índice está em queda.

E o trabalho de combate e repressão ao tráfico de drogas?
O trabalho é contínuo e em conjunto com a Polícia Militar, seja na repressão, seja na investigação, e temos resultados satisfatórios, como o aumento de prisões e apreensões de drogas na nossa região. A nossa idéia é sufocar o tráfico, melhorando assim a segurança durante a alta temporada.

Há uma ligação entre tráfico e homicídios?
Sim, existe uma pesquisa que relaciona cerca de 70 a 80 % dos casos de homicídios com o tráfico de drogas, envolvendo disputa por pontos, dívida do tráfico, entre outras motivações.

Qual o caso que mais lhe chamou a atenção desde que assumiu a 127ª DP?
Talvez os casos que chamaram atenção neste período, foram os dois latrocínios de dois taxistas, um de Cabo Frio e outro de Búzios, onde os envolvidos tinham 13, 19 e 20 anos respectivamente. Os casos foram solucionados, mas fica um alerta para a sociedade de cada vez mais a participação de adolescentes e jovens em crimes violentos.

Quais as maiores dificuldades que o senhor vem enfrentando na 127ª  DP? Há carência de policiais?
A desproporção de funcionários existe em qualquer área do serviço público ou privado, temos que trabalhar com a nossa realidade, o que nós procuramos é otimizar o que possuímos; hoje um dos maiores desafios é motivar o policial, justamente em face da estrutura existente. Em vista disso, temos conversado individualmente com cada policial para saber o que podemos melhorar, e assim fazermos um trabalho satisfatório.

O senhor acredita que a repressão aos criminosos na capital faz com que eles migrem para o interior?
É difícil acontecer essa migração, pois não temos campo para a demanda com a qual eles estão acostumados, o que pode acontecer é a vinda de algum nativo da terra que tenha parentes pela região; isso não quer dizer que haja uma migração, mas apesar disso continuamos monitorando qualquer informação ou denúncia nesse sentido.

No seu entendimento qual é o perfil do bandido que atua em Búzios? Búzios pode ser considerada uma Cidade violenta?
Pela experiência adquirida em 25 anos de polícia, considero Búzios uma cidade segura, não existe dentro do município lugar que o poder público não entre, mesmo assim, a de se considerar que a cidade cresceu nos últimos dez anos, e problemas novos apareceram, entretanto a polícia tem identificado esses desvios e temos procurado não deixá-los aumentar

Alguns crimes em Búzios nunca foram solucionados, o que o senhor pode falar a respeito?
Os casos onde não houve uma investigação inicial imediata, a qual colhesse possíveis indícios de autoria; os obstáculos encontrados, principalmente por parte da sociedade e até mesmo das famílias das vítimas, que continuam omitindo informações (por medo ou conivência), causam uma dificuldade natural para todos os que trabalham no serviço investigatório. Em se tratando do arrolamento de testemunhas, principalmente “in visu”, essas dificuldades transformam-se em impossibilidades. Por parte dos familiares da vítima, as informações prestadas quase sempre relatam a inocorrência de envolvimento desta com atividades ilícitas, como também a inexistência de inimigos que justificasse a morte ocorrida. O "vai e vem" do procedimento, além da troca constante de policiais responsáveis pela investigação, prejudica sobremaneira o desenvolvimento dos feitos, nos quais poderia se vislumbrar reais possibilidades de êxito, haja vista o grande número de ocorrências em relação ao número de policiais existentes. Mas temos procurado dar uma atenção nos crimes antigos, principalmente com o deslocamento de policias para trabalhar especificamente estes casos.



Conhecendo o delegado Lamblet:

Mário José Lamblet dos Santos. Aos 47 anos, esse escorpiano, evangélico casado e com um casal de filhos, também é professor universitário e tem como hobby andar com seu triciclo.
Time: Botafogo no coração.
Comida preferida: qualquer tipo de massa.
Escola de samba: uma simpatia pela Portela. “acho que é por causa da águia, que me lembra um dos símbolos da civil”.
Família: benção de Deus.
Deus: Deus sem você é Deus, você sem Deus é nada.
Trabalho: prazer em servir ao público, realização pessoal.
Uma meta: cada vez crescer dentro da sociedade.
Um sonho: paz entre os povos
Esporte e lazer: na primeira passagem por Búzios, praticava mergulho, mas a correria aumentou, está difícil.
Terapia de relaxamento: uma boa massagem relaxante.
Modo de vida: procurar sempre ajudar as pessoas, e estar de bem com vida e com Deus.
Se defina em uma frase: “Até aqui me ajudou o Senhor”
 Para denúncias a população pode usar o número telefônico da Delegacia  -  2623-2102

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