EDP vai tornar Aparecida a primeira cidade com energia ‘inteligente’ do País

Projeto que será anunciado nesta sexta pretende reduzir custos e ter mais controle sobre o fornecimento
Aparecida, a capital do turismo religioso do Brasil, ganhará agora um novo rótulo. Localizado a 168 quilômetros de São Paulo, no Vale do Paraíba, o município será o primeiro a ser totalmente atendido por medidores eletrônicos (smart grid) no País. O projeto, chamado de InovCity, será lançado hoje pelo grupo português EDP e inclui a instalação de painéis solares em residências e de lâmpadas LED nas ruas, entre outras medidas.


Renée Pereira, de O Estado de S. Paulo
Serão instalados 15,3 mil medidores eletrônicos na cidade, que vão transmitir em tempo real todas as informações de cada consumidor. Os novos equipamentos vão eliminar a tradicional leitura manual feita de unidade em unidade e, dessa forma, evitar erros de medição. Outro benefício do smart grid é melhorar a qualidade da energia entregue aos consumidores.
A partir do monitoramento online, a distribuidora terá capacidade de detectar de forma imediata a interrupção de energia em determinada área e restabelecer o fornecimento de luz sem deslocar equipes de emergência. É claro que, nesse último caso, a rede precisa ter capacidade (redundância de linhas) para deslocar energia de uma área para outra.
No caso da empresa, um dos principais benefícios será a redução de fraudes e roubos de energia, afirma o vice-presidente da EDP, Miguel Setas. Segundo ele, até julho do ano que vem, toda a rede de Aparecida estará funcionando com os smart grids. O executivo destaca, entretanto, que o projeto InovCity, inspirado em uma experiência feita na cidade portuguesa de Évora, vai além dos medidores eletrônicos. 
Em áreas predeterminadas, a iluminação pública ganhará lâmpadas LED, que reduzem o consumo de energia e duram mais tempo. A empresa também fará doação de lâmpadas para os consumidores residenciais. Comunidades carentes serão contempladas com geladeiras e chuveiros novos. Há ainda planos para a instalação de painéis solares em residências. A medida faz parte de testes de geração distribuída, que tornaria possível, em certas ocasiões, transferir energia de uma residência para outra.
Para completar o projeto, diz Setas, a empresa negocia com a prefeitura da cidade locais para a instalação de pontos de recarga para veículos elétricos. Num primeiro momento, a expectativa é doar motocicletas e bicicletas elétricas para o município. Os veículos poderiam ser usados por funcionários públicos.
Custo
Todo o projeto vai custar cerca de R$ 10 milhões, sendo 80% do montante com a compra dos medidores eletrônicos. Os equipamentos serão produzidos pela empresa brasileira Ecil. A instalação dos smart grids é apenas o começo de uma série de benefícios futuros, de acordo com Setas.
Ele explica que, com o monitoramento online da rede, será possível criar tarifas diferenciadas para os clientes de acordo com o horário de consumo. Mas a adoção desse tipo de medida ainda depende de regulamentação por parte da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), que já demonstrou interesse em antecipar a instalação de medidores eletrônicos no Brasil para melhorar a qualidade da eletricidade fornecida à população. Atualmente, há uma consulta pública em andamento na internet sobre as novas regras.
Enquanto isso, Aparecida será testada num sistema totalmente integrado. Além do simbolismo religioso, a cidade foi escolhida por conta das características semelhantes às da portuguesa Évora. "Na nossa área de concessão no Brasil, Aparecida tinha escala adequada para a nossa experiência", diz Sentas.

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