Motoristas que 'compraram' carteira são alvos da polícia

Operação prende 25 acusados de fraudar emissão de habilitações no Rio. Quadrilha envolve funcionários do detran, despachantes e auto-escolas
Entre os presos na Operação Contramão, estão funcionários do Detran
Entre os presos na Operação Contramão, estão funcionários do Detran (Divulgação-Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro)
"Esse material será usado para identificar pessoas que adquiriram a Carteira Nacional de Habilitação de maneira ilegal", afirmou o delegado Gabriel Ferrando


Depois de chegar a uma quadrilha que fraudava a emissão de carteiras nacionais de habilitação (CNH) em municípios do estado do Rio, a Polícia Civil e a corregedoria do Detran quer chegar aos motoristas que se beneficiaram do esquema. O corregedor do Detran-RJ, David Anthony, afirmou, na manhã desta sexta-feira, que estão sendo identificados suspeitos de obter carteira com ajuda da quadrilha. Segundo Anthony, eles responderão criminalmente e perderão as carteiras.

A estimativa da polícia é de que cerca de 200 pessoas obtinham a CNH por mês, utilizando o esquema ilegal. O lucro da quadrilha chegaria a 10 milhões por ano. E o resultado, nas ruas, é o de milhares de motoristas formalmente habilitados, mas sem capacidade para conduzir veículos com segurança e sem conhecimento das leis de trânsito.

A operação Contramão 2 que desmontou uma quadrilha que cobrava entre 800 e 4.000 reais para facilitar a emissão dos documentos. Atuaram em conjunto a corregedoria do Detran, Polícia Civil, Ministério Público e Corregedoria Geral Unificada (CGU). Até as 12h de sexta-feira, haviam sido cumpridos 25 mandados de prisão, de 42 expedidos pela Justiça. Os agentes cumprem também 64 mandados de busca e apreensão. 

Na casa de um dos acusados foram encontrados 120 mil reais. Os agentes recolhem computadores e documentos que serão usados como prova para levar os acusados aos tribunais. As investigações começaram em 2009, a partir de irregularidades constatadas pela Corregedoria do Detran, que passou as informações à Delegacia de Defraudações (DDEF).

Subchefe operacional da Polícia Civil do Rio, o delegado Fernando Veloso afirmou que a cobrança da propina variava de acordo com a dificuldade que o candidato tinha para fazer as provas teóricas e práticas. A soma exigida podia chegar a 4 mil reais, disse Veloso.

A ação mobilizou cerca de 300 agentes de todos os órgãos envolvidos. As buscas são realizadas em 11 municípios e 37 bairros do estado. Vinte e uma auto-escolas estão sob suspeita de envolvimento na fraude. Foram recolhidos computadores e um total de 145 mil reais.

"Esse material será usado para identificar pessoas que adquiriram a Carteira Nacional de Habilitação de maneira ilegal", afirmou o delegado Gabriel Ferrando, da Delegacia de Defraudações.

Os presos responderão pelos crimes de formação de quadrilha, falsificação de documento público, falsidade ideológica, corrupção ativa e passiva e inserção de dados falsos no sistema de informações.


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