PF diz que surgiram fatos novos no depoimento de PM que acusa ministro do Esporte de corrupção


O delator das denúncias de corrupção no Ministério do Esporte, o policial militar João Dias Ferreira, prestou depoimento na tarde desta quarta para dois delegados da Polícia Federal (PF). O depoimento começou por volta das 15h e durou cerca de três horas. Há pouco, um assessor de imprensa da PF informou que o depoimento foi retomado. Ele se limitou a dizer que surgiram fatos novos e que a previsão é de que o PM falará por mais uma hora com os delegados.


No fim de semana, a revista “Veja” publicou acusações de que Orlando Silva teria desviado dinheiro do programa Segundo Tempo, usando ONGs como fachada. O ministro foi apontado como mentor e beneficiário desse esquema. João Dias Ferreira, ex-militante do partido de Silva, o PCdoB, disse na reportagem que as entidades só recebiam recursos se houvesse o pagamento de uma taxa de até 20% do valor dos convênios. Ainda segundo a denúncia, o PCdoB indicaria os fornecedores e as pessoas encarregadas de conseguir notas fiscais frias. Célio Soares Pereira contou que entregava dinheiro pessoalmente a Orlando Silva na garagem do ministério. Em oito anos, o esquema teria desviado R$ 40 milhões.
Na terça-feira, o policial afirmou que havia uma central de cobrança de propina no ministério. Ele disse que o chefe do escritório era o advogado Júlio Vinha, que despachava ao lado de Ralcilene Santiago, ex-coordenadora-geral de um dos programas do ministério e antiga militante do PCdoB. Segundo o PM, o esquema foi montado pelo partido a fim de arrecadar recursos para campanhas eleitorais. O ministro Orlando Silva nega as acusações e chama João Dias Ferreira de bandido.
Demétrio Weber (demetrio@bsb.oglobo.com.br)

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