Proibição de emagrecedores divide consumidores


Os pacientes poderão usar remédios derivados de sibutramina para emagrecer somente após assinarem termo de responsabilidade
A proibição de remédios para emagrecer à base de anfetaminas e a restrição dos medicamentos derivados desibutramina está dividindo a opinião dos consumidores. De acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a falta de evidências científicas sobre a eficácia dos medicamentos pode comprometer a saúde dos pacientes, o que justifica a medida.
A publicitária Lucinda Ulhoa, 32 anos, concorda com a posição da Anvisa. Durante alguns anos, ela usou remédios à base de anfetamina e desibutramina, mas não alcançou os efeitos esperados.
– Acho que faz sentido [a proibição]. Esses remédios têm efeito momentâneo, tiram a fome, mas depois o organismo fica viciado. E é só parar de tomar que a pessoa engorda o dobro.


No entanto, Lucinda faz uma advertência; a determinação da Anvisa pode ter o efeito inverso e se tornar um risco à saúde das pessoas que querem emagrecer.
– Não é essa proibição que vai fazer as pessoas procurarem pela cirurgia de redução de estômago. Elas vão procurar [os remédios] por baixo dos panos e isso traz muitos riscos à saúde.
As novas regras da Anvisa estão deixando os pacientes que usam os medicamentos proibidos inseguros. É o caso da assistente de atendimento Juliane Melo, 24 anos, que usa sibutramina há seis anos para ajudar no tratamento de hipotireoidismo e compulsão alimentar.
– Acho sem sentido a Anvisa proibir ou restringir, porque um obeso deixa de ser obeso tomando a sibutramina.
Juliane acredita que a agência deveria promover campanhas educativas, em vez de proibir a medicação.
Desde fevereiro, quando a Anvisa lançou a proposta de tirar esses remédios do mercado, sociedades médicas se posicionaram contra a ideia. De acordo com a endocrinologista e membro da Associação Brasileira de Estudos sobre Obesidade (Abeso), Maria Edna de Melo, sem esses medicamentos os pacientes obesos ficam sem possibilidade de tratamento.
– O tratamento da obesidade é muito difícil e as respostas às medicações são individuais. Temos alguns que respondem à sibutramina e outros à anfepramona. Se sair do mercado, não tem outra opção –, disse a médica.
Segundo a endocrinologista, as restrições ao uso de sibutramina não foram muito claras. Os pacientes poderão usar remédios derivados de sibutramina para emagrecer somente após assinarem termo de responsabilidade.
– Eles [diretores da Anvisa] falaram que, para prescrever o medicamente, temos de ter esse documento, mas quem vai controlar isso? Se a Anvisa não controla nem a venda vai controlar essas restrições?
A maioria das pessoas que toma remédios para emagrecer declara não conseguir seguir um plano alimentar e mudar estilo de vida. A obesidade é uma doença crônica como o diabetes ou a hipertensão arterial.

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