Após vencer eleição, futuro premiê da Espanha prevê dificuldades para o país


Mariano Rajoy tem grande teste hoje. Mercados vão julgar se novo governo vai merecer créditoJamil Chade, de Madri
Grande vencedor das eleições de ontem na Espanha, o futuro primeiro-ministro conservador Mariano Rajoy chega ao poder com o compromisso de cortar do orçamento 20 bilhões - cumprindo condições impostas por Bruxelas - e alertando os espanhóis de que não haverá tranquilidade nos próximos meses. "Tempos difíceis virão pela frente", declarou Rajoy no primeiro discurso após a vitória.
Se nas urnas a vitória foi garantida, seu grande teste ocorre hoje, quando os mercados julgarão se consideram a mudança de governo suficiente para dar um crédito à Espanha.


Já com o país nas mãos, Rajoy antecipou ontem que convocará todos os governadores locais para estabelecer um plano para lidar com a crise. "Estamos numa hora decisiva para as próximas décadas da Espanha", disse Rajoy. "Não é segredo para ninguém que vamos governar na conjuntura mais delicada em 30 anos e não há milagres", afirmou.
Na intervenção que se seguiu imediatamente após o anúncio de seu triunfo, Rajoy deixou claro que não pretende perder tempo e tentou enviar sinais para o mercado e para a UE: assegurou que cumprirá a meta do déficit e começará a trabalhar imediatamente. "Queremos deixar de ser um problema para ser uma solução na Europa", disse. "Hoje vamos comemorar. Mas amanhã teremos de trabalhar", declarou. Suas primeiras medidas devem incluir ações pouco simpáticas ou populares, como cortes de salários e demissões.
O candidato vitorioso tentou também dar garantias de que vai dialogar com as demais forças políticas para evitar que suas medidas sejam recebidas nas ruas com greves e protestos - como as manifestações dos chamados "indignados", que há meses vêm ocupando praças das grandes cidades da Espanha, revoltados com a falta de empregos e a crise econômica.
A maioria absoluta que conquistou no Parlamento permite a Rajoy que aprove leis e pacotes de austeridade sem consultar ninguém. Mas, ontem, o futuro premiê assegurou aos demais partidos de que não a usará a força obtida nas urnas para excluí-los das tomadas de decisão. "O único inimigo será o desemprego, o déficit e a estagnação", prometeu. 
Correio do Brasil

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