Em Cabo Frio, jornalista senta a lenha no Prêmio de Comunicação do município

Coluna do Renatão da Folha dos Lagos: sentando a lenha no Prêmio de Comunicação
Categoria ofendida

Não costumo comentar premiações em jornalismo. Mas a desfaçatez com que os organizadores do 8º Prêmio de Comunicação de Cabo Frio trataram a todos nós, dando o terceiro lugar na categoria Jornalismo Impresso ao empresário Ernesto Galiotto, que até faz boas incursões na área fotográfica, onde poderia até ganhar a primeira colocação, me fez romper essa regrinha de etiqueta. Esse senhor jamais poderia estar disputando com jornalistas uma premiação que é feita para a categoria.


Escrevo isso com a tranqüilidade de quem não estava concorrendo. Na verdade, nem li a matéria de Galiotto, mas nem precisava. Ele simplesmente não poderia ter a inscrição aceita e se teve, deveria ter ficado de fora da disputa. O desvio de finalidade dessa premiação ficou nítido com esse absurdo. Sem falar de que os R$ 1 mil dados para ele não farão nem cócegas em seu bolso, enquanto com certeza faria toda a diferença para quem rala no dia a dia das redações.

Nós jornalistas já levamos, por vingança, uma cacetada por parte do Supremo Tribunal Federal (STF), que entendeu, propositalmente errado, que a exigência do diploma feria a liberdade de expressão. Todo mundo sempre escreveu o que quis desde a volta da democracia, só que a apuração de uma matéria requer outras habilidades além da simples liberdade. Agora, em Cabo Frio, vemos um prêmio criado para unir a categoria ser desviado justamente durante a gestão na assessoria de uma coordenadora de curso de Comunicação e defensora do diploma. Nada contra a Andréa Gorito, com quem tenho  boas relações, mas ela poderia ter evitado isso.

Além do desvio de finalidade, a festa da premiação aconteceu com coisas esquisitas. A jornalista ex-editora da Folha dos Lagos e atual assessora do deputado Janio Mendes, Roberta Costa, não foi convidada. O nome da jornalista Renata Cristiane, da Rádio Litoral, não estava na lista. Eu, que estava de férias e liguei para saber como chegar, fui informado de que os nomes estavam por equipe e que o meu estaria na da Folha. Também não estava na relação.

A atração teatral, chamada para dar um “plus” cultural ao evento, demorou demais. O serviço de buffet parou e, com isso, ouvi vários comentários sobre “festa de camelo”. Realmente, cheguei a pensar em sair para tomar algo, nem que fosse uma água. Foram horas de bico seco.

Para completar, a festa estava cheia de “bicões”, gente que nada tem a ver com jornalismo e que estava lá só para comer e beber de graça. Vi pouca gente conhecida, que realmente trabalha nas mídias. Mais uma gafe lamentável da organização.

Mas o que realmente me levou a escrever esse artigo foi o prêmio dado ao empresário que vende vinho de garrafão. Na hora em que foi anunciado o resultado, comentei com quem estava do meu lado que estava me sentindo pessoalmente ofendido. Escrevi o mesmo no facebook. E agora, uso esse espaço para manifestar mais uma vez minha indignação. 
Renata Cristiane disse...
Queria reiterar o que o Renatão disse na coluna. Fiquei muito decepcionada quando cheguei lá na entrada e as meninas da recepção olharam 3 vezes a lista e disseram (todas sem graça) que meu nome não estava na lista. Eu ia chamar alguém da organização, mas daí, a Tatiana Grynberg, fotógrafa premiada, tinha direito de levar um convidado, como fomos juntas, entrei (NA ABA DELA). 
Ufa, que vergonha!
Mas, fazer o que, né? Já estava lá toda arrumada, tinha saído de casa...
Depois ficamos lá, em pé, por mais de 2h esperando todo o falatório acabar para servir alguma coisa para beber ou comer. 
Eu também cheguei a pensar em ir em algum bar do Portinho tomar um refrigerante para matar a sede, afinal, depois de duas horas e meia de bla-bla-bla a gente sente sede, cansaço, fadiga, irritação, sono....aff...haja paciência...


Outra coisa que estava LATENTE:
Eu vi gente na festa que é amigo, do amigo, do amigo que trabalha na SECOM, que é da Educação Física, por exemplo, que estava lá bem pra xuxu. Teve gente que mora no Rio, não trabalha como jornalista, mas tinha até duas mesas. E eu que acordo 5h da manhã, fui lá prestigiar a festa num esforço, fiquei em pé e só pude sentar quando alguém (desses que não são do ramo), foi embora.
E por fim, Galiotto premiado, o que dizer...nós que ganhamos um salário de BOSTA ficamos chupando o dedo e o cara que tem avião, ganha milzinho...é a vida...mundo cruel...
Ainda teve outra coisa que se repete há 5 anos. Apenas dois inscritos na categoria rádio, ou seja, 3 prêmios, mas só dois inscritos. Entre outras tantas gafes. 
Houveram categorias que melhoraram bastante como TV e a premiação do Cabralzinho.
Mas #ficadica para os organizadores aproveitando a deixa do Renatão.
Ano que vem, põe mesas reservadas com nome dos que realmente fazem a notícia chegar nas pessoas. 
Os que realmente trabalham no ramos e dão duro para a informação circular. Para que donos de agências e coordenadores e comunicação ( que ganham polpudos salários) possam então divulgar o que seus clientes querem. Entendeu????
E parem com tanto zelo quanto aos jornalistas da cidade, pq tá sobrando prêmio até para quem NÃO É JORNALISTA (e quem não precisa de milzinho) ganhar...
E outra: se a festa era para jornalistas não pareceu ser. Poucos jornalistas, muitos bicões e um excesso de "muquiranagem" com comida e bebida. Sinceramente... nem beber podemos?



Espero que essa "dinheirama" que o prefeito destina aos jornalistas seja realmente investido e destinados para dar prazer um único dia no ano, a quem realmente trabalha o ano inteiro fazendo notícia.
O prefeito está fazendo o papel dele, mas será que os organizadores não estão perdendo o foco?

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