Quem não se comunica...


Antes de qualquer coisa é bom que se ressalte: você não está sendo obrigado a ler este artigo. Tampouco a concordar com uma linha sequer do seu conteúdo. Se preferir poderá ir para o portal do PT. Estive lá neste fim de semana e me deparei com uma matéria sobre marco regulatório.
Nela, o sociólogo Laurindo Leal Filho, jornalista e professor da USP, questiona a exploração da publicidade infantil. E sugere que o partido levante uma discussão sobre o assunto com a sociedade civil, para informá-la e mobilizá-la a fim de garantir a democracia nos meios de comunicação. Direito seu de se manifestar.
Liberdade de expressão é bom e eu gosto. Daí ter entrado também no site da Rede Brasil Atual, inteirando-me mais ainda do debate promovido pelo PT paulista sobre regulação da mídia.
Sorte a minha poder navegar à vontade na internet e pensar como quiser. Para não me desconectar do mundo real andei até minha banca de jornal predileta e comprei, entre outras revistas, a Carta Capital. Na seção de ideias desta semana ela publica um texto de Sergio Lírio: “Para ganhar no grito”.


Entre vários questionamentos, refere-se a uma “simbiose secular” entre o controle da mídia (tevê, rádios e veículos impressos) e o poder político regional. No país todo: Rio de Janeiro, Bahia, Maranhão etc. Como se quisesse demonstrar que a intenção dos petistas não é a de controlar uma determinada empresa com demasiada capacidade de se comunicar.
Dá para confiar? (E os midiáticos do Congresso Nacional?) No mesmo texto, sobressai a observação do ex-ministro das Comunicações Franklin Martins: “A mídia brasileira não quer discutir nem deixar discutir”. Se não se fizer um debate sobre a regulação dos meios, com a participação de todos, ele acredita que prevalecerá “a lei do mais forte”.
Complicado. Há militantes chegados a regimes de ditadura... Exatamente os mais fascinados pela mídia. E convencidíssimos de que os meios de comunicação deveriam existir apenas para servir a eles e ao governo.
Na verdade, a gente sabe que tudo vem se transformando com o conhecimento, a tecnologia, os avanços sociais. Mas nada disso justifica regulações que na prática se tornam censura política. Portanto, “controle social da mídia” significa um retrocesso bárbaro.
A expressão é tão horrorosa que ultimamente tem sido evitada até pelos defensores do marco regulatório. Porém, o temor geral permanece. O perigo foi exterminado realmente? Ou apenas submergiu para ganhar tempo?

Ateneia Feijó é jornalista

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