Em Búzios, apesar de denúncias, faixa de areia no Canto Esquerdo da Ferradura permanece ocupada


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Cerca de 120 mesas e cadeiras ocuparam indevidamente a faixa de areia do Canto Esquerdo da ferradura ao longo de todo o final de semana: espaço reservado para colocação das mesmas permaneceu desocupado

A situação atual do Canto Esquerdo da Ferradura está colocando em risco o projeto de reurbanização que vinha sendo estudado há tempos para a toda a área. 
De acordo com informações da Prefeitura de Búzios, estava sendo desenvolvido um projeto mais amplo para o local, projeto este que se estendia da faixa de terra, hoje ocupada por quiosques, até a Lagoa da Santa Helena ou Brejo da Helena, como é conhecida aquela parte do bairro. Nos estudos estavam previstas a instalação de diversos equipamentos urbanos que dariam nova ambiência na área além de permitir o trânsito de pedestres e ciclistas entre o Centro, e o Canto Esquerdo da famosa praia. O projeto também contemplaria novas instalações de quiosques que ficariam posicionados em trecho  limite à faixa de areia.
-A evolução da desordem daquele trecho da Ferradura tomou um rumo que a aplicação de uma solução urbanística para a área ficou ainda mais difícil – disse o secretário de Planejamento Ruy Borba na tarde de quarta-feira (21), ao PH. Segundo ele o avanço das mesas e cadeiras sobre a faixa de areia fez com que se perdessem as condições para a  articulação de uma solução urbanisticamente correta para o local. - Todos os quiosqueiros daquela área são réus em ação judicial, proposta pelo Ministério Público Federal, que já obteve na Justiça Federal até ordem para demolição das atuais estruturas, em cuja ação o Município é réu – informou Borba, atribuindo a evolução do problema à visão de curto prazo que os quiosqueiros ali posicionados de forma precária, têm sobre suas atividades. 
– O exemplo que se ve dá mostras de que a preocupação é com o lucro imediato. É uma visão de curtíssimo prazo que prejudica qualquer ação que vise uma melhor organização e distribuição dos serviços oferecidos pelos quiosques aos moradores e aos turistas que visitam a Ferradura - asseverou o secretário. 
Ainda de acordo com o relato de Borba, sobre a situação do Canto Esquerdo da Ferradura, a viabilização do Parque da Helena permitiria que fosse formada uma importante Parceria Publica Privada (PPP) que viabilizaria um projeto que contemplasse uma solução para o comércio tradicional de praia, para os turistas, e para os moradores do bairro que já nem freqüentam mais o local em função da bagunça que se instalou. Todavia, em função dos recentes abusos, a confiança necessária para que fossem firmadas tais parcerias foram por água a baixo: sem a parceria cabe à Justiça colocar os limites, ou executar aquilo que vier a ser decidido, já que existe um processo criminal - em que são réus os comerciantes - e um Inquérito Civil da Procuradoria da República, que pede a demolição imediata dos quiosques. Ainda de acordo com Borba os quiosques da Ferradura ainda não fioram colocados no chão porque o Município se comprometeu ordenar o local por meio do Projeto Orla. 
- Já estávamos discutindo detalhes do projeto (da Lagoa e do Canto Esquerdo da Ferradura) - confidenciou o secretário de Planejamento, que fez questão de citar o bom exemplo ocorrido no Canto Esquerdo de Geribá; ‘lá o ordenamento tomou conta da bagunça que, disseminada durante anos, degradou a praia penalizando turistas e moradores da Cidade. 
Quanto a inação da Prefeitura de Búzios frente ao escandaloso avanço de mesas e cadeiras sobre a faixa de areia do Canto Esquerdo da Ferradura, denunciado na edição da última sexta-feira (16) do PH, o secretário de Ordem Pública, Rodolpho Lyrio, informou que aquela situação já estava consolidada muito antes dele assumir o cargo e que ‘o entendimento da unidade de fiscalização da secretaria era o mesmo aplicado na faixa de areia de Geribá’.
Ocorre que em Geribá, em função da larga faixa de areia e da inexistência de estruturas fixas (quiosques), existe um Termo de Ajuste e Conduta (TAC) que prevê a colocação de um reduzido número de mesas e cadeiras em torno de barracas desmontáveis que se ocupam em vender água de coco e bebidas aos banhistas que frequentam o local. Aplicar o mesmo entendimento para o Canto Esquerdo da Ferradura é um flagrante equivoco que vem sendo praticado pela fiscalização do departamento de Posturas. O Município pode (e deve) ordenar o comércio de praia no âmbito do Projeto Orla. Autorizar que áreas pertencentes à União sejam ocupadas indiscriminadamente por mesas e cadeiras é um grande equivoco.

Jornal Primeira Hora

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