Em Campos, ANP flagra produção clandestina de gás pela Chevron


Óleo chegou à superfície através de um buraco, após rompimento na parede de rocha do poço - Efe
Empresa estaria produzindo gás sulfídrico em um dos 11 poços sem comunicar agência do petróleo
A Agência Nacional de Petróleo (ANP) flagrou a Chevron produzindo clandestinamente gás sulfídrico (H2S) em um dos 11 poços que explora no Campo de Frade, na Bacia de Campos, litoral norte do Estado do Rio.
Óleo chegou à superfície através de um buraco, após rompimento na parede de rocha do poço
A revelação foi feita hoje pela diretora da ANP, Magda Chambriard. Ela disse que um processo foi aberto contra a empresa e está em fase de apresentação da defesa. No entanto, ela afirmou que a petroleira americana deveria ter comunicado à ANP a produção dessa substância, que ela definiu como "veneno para o trabalhador". "O procedimento normal é não ter o H2S escondido da ANP", afirmou.


SERGIO TORRES - Agência Estado
O gás sulfídrico (H2S) pode estar presente em alguns poços de petróleo. No processo de extração do óleo, ele vem à superfície, misturado com petróleo, água, cascalho. A operadora deve tomar precauções para separar o gás do petróleo e tratá-lo na superfície, explica o engenheiro Paulo Couto, especialista em perfuração de poços e professor da Escola Politécnica da Universidade Federal do Rio de Janeiro. "É um gás altamente venenoso, que pode matar por intoxicação poucos minutos depois de se ter contato com o gás".
De acordo com Couto, as medidas de segurança preveem o esvaziamento imediato da plataforma quando se nota a presença de gás. "É fácil perceber que há o gás por causa o cheiro característico, como o de ovo podre", compara. A embarcação também deve estar equipada previamente com equipamento para separar e tratar o gás.
"Em geral, sabe-se de antemão que determinado poço vai produzir gás sulfídrico. Se o poço é de exploração, e não se sabe se vai haver gás, a plataforma leva o equipamento por precaução", explicou. "Não se espera acontecer. A meu ver, se a ANP não foi comunicada da ocorrência de gás sulfídrico no poço, houve falha da empresa".
O oceanógrafo David Zee, consultor da Polícia Federal no inquérito que apura o vazamento de óleo no Campo de Frade, também critica a falta de comunicação. "As boas práticas preveem que as autoridades sejam informadas da presença do gás". Ele afirma que os trabalhadores da plataforma são os principais afetados pelo H2S, mas o gás sulfídrico também prejudica o meio ambiente. "É preciso lembrar que esse gás livre na atmosfera contribui para o efeito estufa", afirmou.
Irregularidades
Esta não é a primeira suspeita de irregularidade envolvendo a empresa desde o início do vazamento. Foi constatada contaminação da rede pluvial de água com óleo. trazido do oceano em barcos, o óleo recolhido no mar foi depositado em um galpão e parte dele escoou para valas de esgoto, que acabam desaguando na Baía da Guanabara.
Além disso, a empresa subcontratada para armazenar a água óleosa (mistura de água salgada e petróleo) não estaria habilitada a trabalhar com esse material.

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