No Rio, polícia muda procedimento e passa a prender, sem soltar, apontadores do jogo do bicho


Contraventores também serão autuados no crime contra economia popular
A Polícia Civil do Rio de Janeiro prendeu ontem (28) 21 apontadores do jogo do bicho, além de recolher máquinas e dinheiro dos contraventores. Na quarta, a chefe da Polícia Civil do Rio, delegada Martha Rocha, publicou uma portaria que estabelece novas diretrizes para serem adotadas em prisões e operações contra o jogo do bicho. Agora os apontadores do jogo do bicho serão presos. Seis delegacias especializadas participaram da ação.
De acordo com a nova medida, a medida determina a prisão em flagrante de apontadores de jogo do bicho, considerado crime contra a economia popular quando há a manipulação dos resultados do jogo.


Ações da polícia para coibir o jogo do bicho, entre elas, a Operação Dedo de Deus, permitiram a coleta de informações que trazem indícios de manipulações de resultados e fraude. Com essas informações, a medida foi criada para aumentar o combate à contravenção, já que a soma das penas dadas pela contravenção do jogo do bicho e a relativa ao crime contra a economia popular  não permite a aplicação da Lei 9.099/95, que criou os crimes de menor potencial ofensivo, onde não há prisão.
De acordo com a nova norma, o delegado deve colher os depoimentos dos envolvidos e verificar se há manipulação dos resultados. Na sequência, os apontadores devem ser presos em flagrante. Antes, eles eram autuados apenas por contravenção penal e depois liberados. Além disso, as informações levantadas poderão resultar em uma autuação em flagrante também por concurso material, ou seja, a facilitação para a realização de outro crime. No caso do jogo do bicho, manipular resultados para roubar dinheiro dos apostadores. 
Operação Dedo de Deus
A operação Dedo de Deus revelou o luxo que cerca os chefes do jogo do bicho no Estado do Rio de Janeiro. Na última semana, a Polícia Civil apresentou os R$ 3,9 milhões e mais 3.000 euros recolhidos na ação. Os policiais apreenderam carros, joias, artigos importados de diversos patronos de escolas de samba.
Aniz Abraão David, o Anísio, da escola Beija-flor, Luizinho Drumond, presidente da Imperatriz Leopoldinense, eHélio de Oliveira, o Helinho, da Grande Rio, são os principais focos da operação.
Parte do dinheiro sujo foi encontrada até em canos do esgoto de uma mansão milionária do tio do bicheiro Helinho. Embrulhos com dinheiro também estavam nos forros do teto.Foi encontrado ainda um cheque rasgado no valor de R$ 2 milhões.
Até este domingo (25), 45 pessoas foram presas desde que a operação foi deflagrada, duas semanas atrás, entre elas, quatro policiais. O ex-prefeito de Teresópolis, na região serrana, Mário Tricano foi detido por suspeita de comandar um esquema de apostas.
Entretanto, a maioria conseguiu escapar antes de a polícia chegar às fortalezas de luxo.Existe a suspeita de que foram informados sobre a operação por policiais corruptos.
Outra investida da polícia em um triplex avaliado em R$ 75 milhões surpreendeu os moradores de Copacabana, na zona sul da cidade. Os agentes usaram um helicóptero para invadir a cobertura de outro bicheiro.
As imagens do programa Domingo Espetacular, da Rede Record, mostram o luxo da fortaleza de Anísio. Um jardim japonês com lago e cascata. Além de uma piscina, com o símbolo da escola de samba no fundo. No interior, sala de cinema, academia de ginástica e até salão de beleza.
Em duas semanas de investigações, a quantidade de carros apreendidos foi significativa e por isso foi preciso organizar um comboio para levar dezenas de veículos até um depósito da polícia em Niterói, na região metropolitana do Rio.

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