Polícia encontra dinheiro no esgoto e nas paredes da casa de tio de bicheiro da Grande Rio


Advogado foi preso por destruição de provas; cheque de R$ 2 milhões foi picotado
A operação Dedo de Deus, da Polícia Civil, contra o jogo do bicho no Estado do Rio de Janeiro avançou nesta terça-feira (20) ao encontrar grande quantidade de dinheiro nas paredes e na rede de esgoto de uma casa de um tio de Hélio Ribeiro, o Helinho, presidente administrativo da escola de samba Grande Rio e um dos suspeitos de envolvimento no esquema de corrupção.
No imóvel na Barra da Tijuca, na zona oeste carioca, também estava um cheque picotado no valor de R$ 2 milhões. Um advogado do bicheiro foi preso suspeito de destruição de provas. O bicheiro está foragido desde que a ação foi desencadeada no último dia 15. Documentos rasgados também foram encontrados na rede de esgoto.


Também nesta terça, um tenente da Polícia Militar foi preso na Ilha do Governador, na zona norte, pela operação por suspeita de contravenção. A CGU (Corregedoria Geral Unificada) procurava provas na casa dele por meio de um mandado de buscas e apreensão. 
Operação Dedo de Deus
A operação Dedo de Deus foi desencadeada no Rio de Janeiro, Bahia, Maranhão e Pernambuco. Entre os presos estão o ex-prefeito da cidade de Teresópolis, Mário Trincano, apontado como chefe do jogo ilegal na região serrana do Rio, e dois policiais militares da cidade de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.
Os agentes também apreenderam aproximadamente R$ 517 mil, dezenas de computadores, documentos e joias. Apenas no barracão da escola de samba Beija-Flor de Nilópolis, na Cidade do Samba, região central do Rio, foram encontrados R$ 115 mil.
De acordo com o delegado Glaudiston Galeano Lessa, da Coinpol (Corregedoria Interna da Polícia Civil), as investigações da operação Dedo de Deus começaram há um ano a partir de denúncias de comerciantes que estariam sendo coagidos a manter pontos de apostas do jogo do bicho em seus estabelecimentos.
- De acordo com as denúncias, policiais estariam participando dessa coação. Os policiais envolvidos com a quadrilha também atuavam na liberação de material e pessoas durante operações policiais e com o vazamento de informações sobre ações de combate ao jogo. Durante operações, eles apresentavam apenas material que não comprometiam os investigados e prendiam pessoas de pouca relevância na organização, liberando as pessoas realmente importantes.
Ex-prefeito de Teresópolis preso
Entre os chefes do jogo que tiveram a prisão decretada, apenas o ex-prefeito de Teresópolis foi preso. Os outros contraventores procurados são o presidente de honra da escola de samba Beija-Flor de Nilópolis, Aniz Abrahão David, o Anísio, que atuava na Baixada Fluminense, principalmente em Nilópolis, Mesquita e Queimados; Hélio Ribeiro, o Helinho, que é presidente administrativo da escola de samba Grande Rio e atua na área de Duque de Caxias, também na baixada; Iude Soares, que também é ligado à Grande Rio e age na mesma região; além de Luizinho Drumond, que é responsável pela exploração do jogo na Leopoldina e zona portuária carioca.
O delegado também explicou que a quadrilha era dividida em seis células, que agiam nas regiões de Rio de Janeiro, São João de Meriti, Duque de Caxias, Petrópolis, Nilópolis e Teresópolis. O grupo movimentava dezenas de milhares de reais por mês.
- As pessoas que tiveram a prisão decretada pertencem ao primeiro escalão da organização e que também atuam como intermediários até os apontadores. São pessoas que agem na parte administrativa e logística da quadrilha, como responsáveis por centrais de apuração, pessoas que levavam e distribuíam materiais, entre outras atividades.
Todas as pessoas presas vão responder pelos crimes de corrupção ativa e corrupção passiva, formação de quadrilha e jogo de bicho. Durante a ação, um helicóptero blindado da Polícia Civil parou sobre uma luxuosa cobertura em Copacabana e os policiais desceram até o imóvel. Participam da operação cem delegados, cinco promotores de Justiça e mais de 700 agentes da Polícia Civil.

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