Rede de Beira-Mar arregimenta de advogados a empresários para lavar o dinheiro do tráfico


Beira-Mar
Advogados, comerciantes, laranjase empresas que realizavam a lavagem de dinheiro para o traficante FernandinhoBeira-Mar, apontado como líder da facção criminosa Comando Vermelho, preso em um presídio de segurança máxima, movimentaram R$ 62 milhões ao longo do último ano, embora o criminoso esteja preso em uma penitenciária de segurança máxima. A informação foi divulgada, na tarde de terça-feira (29), pela chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro, Martha Rocha.
Ao todo, cinco empresas, sendo duas fictícias, foram identificadas na Operação Scriptus, deflagrada no Rio de Janeiro e nos Estados do Paraná, Mato Grosso do Sul, São Paulo e Minas Gerais. Até o início desta tarde, 16 homens foram presos, acusados de apoiar o tráfico de drogas, entre outros crimes. Um total de 200 agentes participaram da ação, cujo objetivo foi prender 20 pessoas envolvidas no processo de lavagem de dinheiro do tráfico da facção criminosa que dominava o Complexo do Alemão. Outros 24 mandados de busca e apreensão ainda seguem em curso.


O início das operações ocorreu a partir da análise de 14 pedaços de papel pautado, com manuscritos de Fernandinho Beira-Mar, apreendidos durante a ocupação do Complexo do Alemão. Os agentes puderam descobrir o esquema responsável pela obtenção de grande parte das armas e drogas para a comunidade, além de como era realizada a lavagem de dinheiro. Segundo as investigações, cerca de 10 t de maconha, das 40 apreendidas durante a operação de ocupação, chegaram ao Complexo do Alemão através do esquema montado pelo traficante.
Segundo o coordenador do NUCCLD, delegado Flávio Porto, a análise do material apontou também a existência de uma espécie de “terceiro setor”, integrado por pessoas físicas e jurídicas, sediadas em Foz do Iguaçu, Mato Grosso do Sul e Belo Horizonte, com a função de legalizar o dinheiro obtido com o tráfico de drogas. O capital era depositado em suas contas por pessoas que se associaram ao grupo criminoso, exercendo o papel de “agentes depositantes”, geralmente moradores da localidade que levavam o dinheiro às agências bancárias quantias expressivas.
Ao perceber a movimentação, o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF), em parceria com a Polícia Civil, possibilitou o bloqueio e sequestro dos saldos das contas bancárias envolvidas no esquema, por onde circulavam mais de R$ 20 milhões. A partir daí, será possível atingir o patrimônio dos bandidos, construído com dinheiro ilícito. As pessoas envolvidas no esquema responderão por tráfico de drogas, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro.

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