Frase do dia

“O amor é tudo”
(Jesus Cristo)







sábado, 17 de setembro de 2011

Vara vive caos sem juiz e ação contra Universal não anda

Márcio Ferro Catapani, substituto que praticamente sozinho cuidava do caso, viajou para a Itália, em licença autorizada

Se depender do novo modelo de designação de juízes para a 2ª Vara Criminal Federal em São Paulo, a denúncia contra o bispo Edir Macedo (foto) e a cúpula da Igreja Universal do Reino de Deus vai mofar na gaveta. A 2ª Vara vive etapa de instabilidade, sem juiz permanente em seus quadros.
No início do mês, o magistrado Márcio Ferro Catapani, o substituto que praticamente sozinho cuidava de todas as demandas, viajou para a Itália, em licença autorizada. A partir daí, a presidência do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF3) adotou o sistema do "juiz de passagem" - o magistrado não esquenta a cadeira porque nela não fica mais que dois dias, o que torna inviável dar conta de uma demanda como a da Universal.
Estratégica, porque sua competência alcança exclusivamente ações sobre crimes financeiros, lavagem de capitais e evasão de divisas, a 2ª Vara se tornou responsável pela ação contra Macedo e seus aliados há 15 dias. A escolha obedeceu a sorteio eletrônico.

Túlio Maravilha renuncia ao cargo de vereador


Jogador preferiu deixar a política na busca pelo milésimo gol

Agência Gazeta Press
O atacante Túlio Maravilha, que também era vereador da cidade de Goiânia pelo PMDB, renunciou ao cargo político nesta sexta-feira (16).
Em carta enviada ao Tribunal Regional Eleitoral de Goiás e à Câmara Municipal de Goiânia, o jogador comunicou sua decisão e alegou problemas particulares.
O presidente da Câmara Municipal da capital de Goiás, o vereador Iram Saraiva (PMDB), disse ter recebido uma ligação do jogador para confirmar a renúncia.
Em sua incessante busca pelo milésimo gol, Túlio deixou o Canedense de Goiás recentemente e assinou contrato com o Bonsucesso, do Rio de Janeiro, bem distante do local onde exercia o mandato político.
Ele já havia entrado com pedido de licença superior a 120 dias para se dedicar ao futebol carioca, mas preferiu oficializar o seu desligamento do cargo.
O suplente Luciano Pedroso (PMDB) assume no lugar do atacante de 42 anos.

STJ anula provas contra filho de Sarney

Ministros consideraram escutas como sendo ilegais
 
O STJ (Superior Tribunal de Justiça) anulou as provas colhidas durante a Operação Boi Barrica, da Polícia Federal, que investigou suspeitas de crimes cometidos por integrantes da família do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). Os ministros da 6ª Turma do STJ consideraram ilegais interceptações telefônicas feitas durante as investigações.
Revelações sobre a Boi Barrica, feitas pelo jornal O Estado de S. Paulo em 2009, levaram a Justiça a decretar censura ao jornal, acolhendo pedido do empresário Fernando Sarney, filho do senador.
Com a anulação das interceptações ficam comprometidas outras provas obtidas posteriormente, resultantes de quebras de sigilo bancário e fiscal. Volta praticamente à estaca zero a apuração de uma suposta rede de crimes cometidos pelo grupo a partir de um saque de R$ 2 milhões em espécie às vésperas da eleição de 2006 e registrado como movimentação atípica pelo Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras). Na época, Roseana Sarney era candidata ao governo do Maranhão.
Com as escutas e informações sobre movimentação financeira, a PF abriu cinco inquéritos e apontou indícios de tráfico de influência no governo federal, formação de quadrilha, desvio e lavagem de dinheiro.

A Terra se defende: faz diminuir o crescimento


Por Leonardo Boff
Hoje é vastamente aceita e entrou já nos manuais de ecologia mais recentes (cf.R. Barbault, Ecologia Geral, Vozes 2011) a ideia de que a Terra é viva. Primeiramente, ela foi proposta pelo geoquímico russo W. Vernadsky na década de 1920 e retomada, nos anos de 1970, com mais profundidade por J. Lovelock e entre nós por J. Lutzenberger, chamando-a de Gaia. Com isso se quer significar que a Terra é um gigantesco superorganismo que se autorregula, fazendo com que todos os seres se interconectem e cooperem entre si. Nada está à parte, pois tudo é expressão da vida de Gaia, inclusive as sociedades humanas, seus projetos culturais e suas formas de produção e consumo. Ao gerar o ser humano, consciente e livre, a própria Gaia se pôs em risco. Ele é chamado a viver em harmonia com ela mas pode também o romper o laço de pertença. Ela é tolerante, mas quando a ruptura se torna danosa para o todo, ela nos dá amargas lições.
Todos estão lamentando o baixo crescimento mundial, especialmente nos países centrais. As razões aduzidas são múltiplas. Mas para uma visão da ecologia radical, não se deveria excluir a interpretação de que tal fato resulte de uma reação da própria Terra face à excessiva exploração pelo sistema produtivista e consumista que tomou conta do mundo. Ele levou tão longe a agressão ao sistema-Terra a ponto de, como afirmam alguns cientistas, inauguramos uma nova era geológica: o antropoceno, o ser humano como uma força geológica destrutiva, acelerando a sexta extinção em massa que já há milênios está em curso. Gaia estaria se defendendo, debilitando as condições do arraigado mito de todas as sociedades atuais, inclusive a do Brasil: do crescimento, o maior possível, com consumo ilimitado.
Já em 1972 o Clube de Roma se dava conta dos limites do crescimento, este não sendo mais suportável pela Terra. Ela precisa de um ano e meio para repor o que extraímos dela num ano. Portanto, o crescimento é hostil à vida e fere a resiliência da Mãe Terra. Mas não sabemos nem queremos interpretar os sinais que ela nos dá. Queremos continuar a crescer mais e mais e, consequentemente, a consumir à tripa forra. O relatório “Perspectivas Econômicas Mundiais” do FMI, prevê para 2012 um crescimento mundial de 4,3%. Vale dizer, vamos tirar mais riquezas da Terra, desequilibrando-a como se mostra pelo aquecimento global.
A “Avaliação Sistêmica do Milênio” realizada entre 2001 e 2005 pela ONU, ao constatar a degradação dos principais itens que sustentam a vida advertiu: ou mudamos de rota ou pomos em risco o futuro de nossa civilização.
A crise econômico-financeira de 2008 e retornada agora em 2011 refuta o mito do crescimento. Há uma cegueira generalizada que não poupa sequer os 17 Nobeis da economia, como se viu recentemente no seu encontro no lago Lindau no sul da Alemanha. À exceção de J. Stiglitz, todos eram concordes em sustentar que o marco teórico da atual economia não teve nenhuma responsabilidade pela crise atual (Página 12, B. Aires, 28/08/2011). Por isso, ingenuamente postularam seguir a mesma rota de crescimento, com correções, sem se dar conta de que estão sendo maus conselheiros.
Mas importa reconhecer um dilema de difícil solução: há regiões do planeta que precisam crescer para atender demandas de pobres, obviamente, cuidando da natureza e evitando a incorporação da cultura do consumismo; e outras regiões já superdesenvolvidas precisam ser solidárias com as pobres, controlar seu crescimento, tomar apenas o que é natural e renovável, restaurar o que devastaram e devolver mais do que retiraram para que as futuras gerações também possam viver com dignidade, junto com a comunidade de vida.
A redução atual do crescimento representaria uma reação sábia da própria Terra que nos passa este recado: “parem com a idéia tresloucada de um crescimento ilimitado, pois ele é como um câncer que vai comendo todas as células sãs; busquem o desenvolvimento humano, dos bens intangíveis que, este sim, pode crescer sem limites como o amor, o cuidado, a solidariedade, a compaixão, a criação artística e espiritual”.
Não incorro em erro na crença de que está havendo ouvidos atentos para essa mensagem e que faremos a travessia ansiada.
Leonardo Boff é teólogo, filósofo e escritor.

Em Cabo Frio, Alair Corrêa filia-se ao PP



Alair Correa assinou ontem a ficha de filiação ao PP e por esta sigla pretende disputar as eleições.


Ele é pré-candidato. A filiação foi feita com bonita festa no Clube Tamoio, no Centro de Cabo Frio, com a presença do Senador Francisco Dornelles.


Em seu discurso o Senador afirmou que Alair será prefeito mais uma vez em Cabo Frio e que vai contar com ele para trabalhar o partido em nível nacional.


Dornelles foi bastante aplaudido e cantou com Alair e as mais de 2 mil pessoas que lotaram o clube, Para não dizer que não falei das flores, de Geraldo Vandré.


Dornelles assina a ficha de Alair Corrêa Neto

O filho, Marcello Corrêa é PP

Alair Corrêa Neto é PP




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Mostrando o pau…

Beth Michel
Ontem, nas “poucas e boas” prometi contar tudinho que acontecesse, nos dois eventos políticos para os quais fui convidada ontem, e como não sou Santo Agostinho, e não tenho fôlego para maratonista, fui a um – que prometia ser mais “suculento” (tanto por ausências como por presenças) e deixei a cargo de alguns amigos me informarem sobre o outro. Ou seja, continuo “matando a cobra e mostrando o pau”. E pelo visto acertei na minha escolha. Então vamos parar de embromar os eleitores, e passemos aos fatos:
Evento que eu não fui – Inauguração do escritório de Janio Mendes (PDT):
Meus três informantes me disseram que tinha pouca gente – 200 aproximadamente; e que era a mesma turma de sempre, não foram detectadas “caras novas”, mas foram constatadas algumas ausências (inesperadas).
Alguns destes ausentes na Julia Kubistchek foram vistos no Clube Tamoios.
Por outro lado meu trio de informantes disse que o vereador Silvan Escapini (PSC) estava presente, e aparentemente já refeito da pancadaria que rolou entre ele e Emanuel Fernandes, na Câmara nesta quinta-feira por conta do número de cadeiras para 2012.
A mesa foi composta por representantes de alguns partidos chamados “nanicos”, mas não havia (na platéia) partidários notórios destes partidos – possivelmente por falta de espaço.
Evento que eu fui – Solenidade de filiação de Alair Correa ao PP:
O Clube Tamoios estava repleto, só não tinha gente dentro da piscina. Segundo gente que está acostumada a contabilizar multidões eram entre 2400 e 2800 pessoas, sem contar aquelas que não conseguiram entrar, e aquelas que só foram dar uma conferida.

Salão lotado - foto Cesar Pinho

Salão lotado II - foto Casar Pinho
Foi uma sorte a organização ter providenciado telões para o lado de fora. Aliás, a organização estava de primeira, meus parabéns aos responsáveis e ao pessoal do clube, super atenciosos, banheiros limpíssimos do começo ao fim de evento.
A Banda Santa Helena se esmerou na apresentação de músicas do cancioneiro popular, que incluiu a música preferida de Alair: “Caminhando e cantando e seguindo a canção…” e na execução do Hino Nacional.
Conforme eu havia imaginado o quarteto Pepista (Delma, Paulo Massa, Zé Ricardo e Rogério do Laboratório) não apareceu nem mandou representante, e com certeza o vestuto e perene senador Dornelles deve ter anotado a gazeta em seu caderninho. Mas como disse antes o problema é deles e não de Alair. Alguns muristas também não deram as caras. Mas os Alairistas tradicionais estavam todos lá. Inclusive alguns que segundo a mídia blogueira teriam desertado. Arrependimento?
Registrei a presença de um grande número de “caras novas”, mas desconhecidas no meio político, e como não havia comes e bebes por conta da casa, imagino que tenham ido pelo evento em si. Tinha muita, mas muita gente mesmo do 2º Distrito, e vamos combinar que a viagem até aqui – graças à estrada de “entregação”; é um ato de desprendimento e bravura.
Destaque especial para a elegância das senhoras e de alguns senhores, sendo que o escritor Tony Fonseca estava de parar o trânsito, e Katyuscia (Chaparral) estava de dar inveja a Gisele Bündchen, aposto que tem muito marmanjo curtindo um torcicolo…
Mas, o “bafão” da noite foi dado pela presença de muitos empresários e alguns altos funcionários da prefeitura, que ficaram no bar do clube, mas super atentos ao que se passava nos telões, e disfarçadamente puxavam assunto com o pessoal de Alair. Não vou dizer que seja uma mudança de lado em massa, nem que todos estivessem ali como X-9 – até porque era muita gente para um mesmo papel. Mas, há uma boa possibilidade que estejam testando o terreno. E por que não?
Meu amigo James Santos com muito bom humor – mas completamente sério; chegou a dizer que Alair convidou Amaury Valério para se filiar ao PP – segundo as más línguas ele anda meio sorumbático por falta de padrinhos políticos. Garanto que não consegui me decidir se é verdade ou não, mas como política é a arte do (im)possível, até pode ser…

Tenho certeza que se os recém chegados não forem safados notórios; e sem remissão, serão bem recebidos. Esta estória do Alair perseguidor e vingativo e pura lenda urbana. É evidente que qualquer um nesta situação (governista arrependido) vai ter que passar por um período probatório e será observado atentamente até merecer um voto de confiança pleno, mas como diz o ditado: quem não deve não teme.
Fora isso, foram devidamente anotadas as ausências (sem justificativa) de algumas pessoas da mídia, e em especial da mídia dita amiga – pelo menos foi o comentário que ouvi da assessoria de comunicação de Alair, porém como ele anda em uma fase de total bem-aventurança, acho pouco provável que hajam puxões de orelhas, quando muito os faltosos serão ignorados. Mas isso é palpite meu…
PS: só estou publicando a foto da parte interna do clube, porque o flash (fedape) da minha máquina deu xabú. Mas lhes garanto que as áreas externas estavam repletas, assim como todas as outras dependencias do Clube. E teve até engarrafamento na Av. Nilo Peçanha, por conta de pessoal retardatário que ficou do lado de fora. Sugiro que o próximo evento seja na pista do Aeroporto ou no Correião.

'Diário de Alexandria' com Carlos Sepúlveda

FLAUBERT

            A literatura pode ser um tipo de obsessão Aliás, creio que nós, os escritores, não exercemos nosso métier senão com alguma obsessão. Não é com inspiração apenas, nem com outra qualquer predicação transcendente ou metafísica.
            O caso Flaubert exemplifica uma espécie de obsessão, quase um transtorno. Ele buscava minuciosamente a mot juste, por isso era capaz de escrever e de reescrever a mesma página centenas de vezes até que encontrasse a forma ideal, a palavra exata.
            Seu trabalho exasperava. Abandonava-se à busca da perfeição estilística numa tarefa perfeitamente inútil, no solitário exercício de escrita e de reescrita, devotando, para isso, uma inútil vida inteira, várias horas por dia.
            Não por acaso, o livro de Sartre sobre Flaubert ( l’idiot de la famille) é mesmo uma “psicanálise”da inutilidade. Nem é preciso dizer que esta obsessão irritava, principalmente, seu pai que pretendia para ele a disciplinada carreira de banqueiro .
            Evidentemente, no universo utilitário da pequena burguesia francesa, em meados do século XIX, o autor de Madame Bovary não era considerado um padrão de comportamento, embora o resultado final tenha sido a imortalidade. E se, por ventura, a medida do sucesso seja o comum pecúnio, os livros de Flaubert venderam alguns milhões de francos.
            A excentricidade rendeu-lhe uma fortuna em qualquer sentido que se queira entender.
            No entanto, o exemplo de paixão pela escrita e o trabalho magnífico de descrição da pequena burguesia rural na França, além da invenção do ´bovarismo”, constituem um patrimônio incomensurável.
            A literatura de Flaubert abriu caminho para a autonomia do estilo e da renovação do romance. Sem ela, a grande riqueza da ficção em língua francesa não teria conhecido a grandeza de Proust, isto para dizer o mínimo.
            Fora o fato de que o destino infeliz de Emma Bovary foi traçado, não pelo cego destino, a dura marca dos deuses, mas pela hipocrisia e pequenez da sociedade empobrecida, no interior da França.
            O painel sociológico, sustentado por um domínio invulgar da língua, tornou Flaubert um gênio da ficção universal.
            Segundo Alain Finkelkraut, Flaubert acreditava na existência de um liame entre beleza e verdade, como os clássicos. Depois dele, toda grande literatura realista repousa sobre este estranho postulado.
            Conta-se que, no momento de sua morte, ele teria se lamentado de seu ofício. “Eu morro como um cão”—exasperou-se –.“ Esta puta da Bovary vai permanecer para sempre”.

NOTA – O colunista vai ausentar-se pelas próximas duas semanas quando estará em vilegiatura, em Paris e Praga. Os leitores eventuais poderão desfrutar da ausência, mas eu os ameaço com o retorno.