Depois de ser espancada por agiota devido a dívida do neto, idosa pode perder a casa onde mora


Antero Gomes
As provações pelas quais passa a idosa Lyriasiria dos Santos, de 79 anos, não têm fim. Depois de ser brutalmente agredida por um suposto agiota, ela terá que se mudar da humilde casa onde mora, com um filha e um neto doentes, no bairro Galo Branco, em São Gonçalo. A aposentada mora de favor no casebre há cinco anos. Mas a dona da residência já avisou que os três terão de se mudar.
— Antes de minha mãe ter sido agredida, em 28 de dezembro, a proprietária já tinha dito que o filho dela iria se casar e precisaria do terreno. Depois da agressão, a dona voltou a avisar a conhecidos que a mudança teria que ser feita. Minha mãe não pagava aluguel, mas quitava luz, IPTU e outras contas — disse uma das quatro filhas vivas da idosa, que deve perder a visão do olho esquerdo.
A aposentada está dormindo fora de casa, com receio de sofrer novas agressões. Ela foi espancada por uma pessoa que cobrava uma dívida adquirida por um outro neto, que é viciado em crack e está preso desde dezembro do ano passado por roubo. O agressor ainda não foi encontrado.
Os familiares de Lyriasiria correm, agora, contra o tempo. Eles tentam encontrar um abrigo para a filha da aposentada de 52 anos, que sofre de esquizofrenia e transtorno bipolar, e para o neto de 24 anos, que sofre de problemas mentais, não anda, não fala e usa fraldas. Assistentes sociais da Prefeitura de São Gonçalo e do governo do estado já procuraram a família para tentar ajudá-la a encontrar uma saída.


Nesta sexta, a Polícia Civil checou cerca de 20 informações passadas ao Disque-Denúncia (2253-1177). A aposentada não reconheceu nenhum dos suspeitos apresentados. Entretanto, segundo o delegado titular da 72ª DP (São Gonçalo), Oscar Alves, o principal suspeito é um homem foragido que tem contra si um mandado de prisão numa investigação da 19ª DP (Tijuca). Ele mora em São Gonçalo e seria agiota. A polícia não conseguiu encontrá-lo ontem, mas continua com as buscas.
— Ele tem características muito parecidas com as relatadas pela aposentada — disse o delegado.
Alves disse ainda que não há indício algum de que a agressão possa ter sido feita por traficantes e não por agiotas. A versão circula entre alguns vizinhos da idosa.


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