Em Cardoso Moreira, dique se rompe e expulsa mil pessoas de casa


Força do rio Muriaé fez ceder barreira
Um dique se rompeu no início da noite de domingo (8) no município de Cardoso Moreira, no norte do Estado do Rio de Janeiro, na localidade de Outeiro. A comunidade é vizinha a Três Vendas, em Campos dos Goytacazes, onde um trecho da BR-356, que liga o município a Itaperuna, cedeu na última quinta-feira (5).
Segundo o subsecretário de Defesa Civil da cidade, Edgar Rocha, cerca de mil pessoas vivem no local e terão que sair às pressas de casa. O dique, que fica próximo a BR-356, se rompeu por volta das 20h. A previsão é que a água chegue até a comunidade nas próximas horas, segundo Rocha.
O resgate das famílias está sendo feito com a ajuda de homens da Defesa Civil Estadual, dos Bombeiros e do Exército. Todos serão levados para abrigos montados em locais altos. 


O rio Muriaé nasce no Estado de Minas Gerais e atravessa diversas cidades do norte e noroeste do Rio até desaguar no Paraíba do Sul, em Campos. Nesta madrugada, voltou a chover forte na região e o nível do Muriaé subiu, causando novas inundações e deslizamentos em cidades como Itaperuna, Italva e Laje do Muriaé, municípios que apresentaram maior índice de chuvas nas últimas 24 horas e entraram em alerta para deslizamentos neste domingo.
Chuva expulsa 13 mil de casa
Em todo o Estado do Rio, quase 13 mil pessoas tiveram que deixar suas casas por conta da chuva que castiga as cidades do norte e noroeste, segundo o último boletim divulgado pela Defesa Civil Estadual no início da noite.
São, no total, 10.759 desalojados (pessoas que tiveram que sair de casa temporariamente) e 1.990 desabrigados (aqueles que perderam suas casas). Com o rompimento do dique em Cardoso Moreira na noite deste domingo, esse número deve subir.
Até então, a situação era mais crítica em Itaperuna, no noroeste fluminense, onde 5.106 pessoas foram diretamente afetadas pela chuva. Além dos bairros que se recuperavam do primeiro temporal, localidades que não haviam sido atingidas sofreram com alagamentos e deslizamentos de terra.
Segundo a Defesa Civil do Estado, Itaperuna sofre com a cheia do rio Muriaé, a enxurrada dos córregos menores e cerca de 15 registros de deslizamentos de barreiras. Em Natividade, na zona rural, a localidade conhecida como Cruzeirinho, uma pessoa ficou ferida após o desabamento de uma casa. A vítima, que teve escoriações leves, foi atendida no pronto-socorro local e liberada em seguida.
Em Laje do Muriaé, houve escorregamento de barranco, durante a madrugada, em uma obra de contenção de talude localizada na entrada da cidade. Em Raposo, distrito de Itaperuna, uma pedra rolou de uma encosta. As informações são da Defesa Civil Estadual. 
Nessas cidades, as defesas civis municipais usam carros de som para alertar a população sobre os riscos de cheias dos rios ou deslizamentos de terra. Bombeiros foram deslocados para pontos estratégicos das cidades atingidas. 
Sete municípios decretaram situação de emergência após as enchentes provocadas pela chuva: Laje do Muriaé, Santo Antônio de Pádua, Itaperuna, Italva, Cardoso Moreira, Miracema e Aperibé.
Três Vendas
A comunidade de Três Vendas, em Campos, continua alagada desde quinta-feira (5), quando um dique às margens da BR-356 (Campos - Itaperuna) se rompeu e uma enxurrada invadiu o bairro na zona rural do município. A água chegou a baixar 50 cm no sábado, mas voltou a subir nesta madrugada por causa do novo temporal.
A estrada de chão que dá acesso à localidade tem cerca de 10 km e foi muito prejudicada com a chuva. Por conta da grande quantidade de barro e lama, apenas veículos com tração nas rodas podem seguir viagem, segundo o secretário adjunto da Defesa Civil de Campos, major Pessanha.
- A estrada de chão está em péssimas condições de tráfego e tivemos que pedir carros mais potentes para o Corpo de Bombeiros e Exército. Temos equipes lá em Três Vendas, mas as outras que chegariam às 8h só conseguirão chegar mais tarde.
Segundo Pessanha, apesar da forte chuva, nenhuma ocorrência grave foi registrada no local e os cerca de 2.000 moradores que se negam a deixar suas casas alagadas por medo de saques têm auxílio de equipes no local.
- Os técnicos da Defesa Civil percorrem a localidade com barcos, conversam com as pessoas, ajudam no que é possível. A segurança também continua reforçada pela Polícia Militar.

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