Eventos marcam Dia Mundial de Combate à Hanseníase


Uma doença silenciosa, que, muitas vezes, se manifesta com sintomas pouco valorizados pelos pacientes e que pode causar incapacidades e deformidades se não for tratada precocemente. Assim é a hanseníase, que em 2011 fez, segundo dados preliminares, 30.298 novas vítimas no país, 1.279 somente no estado do Rio. Neste domingo, dia 29 de janeiro, será comemorado o Dia Mundial de Combate à Hanseníase e a Secretaria de Estado de Saúde vai promover ações para orientar a população sobre a doença em tendas montadas no Aterro do Flamengo e Piscinão de Ramos.
Das 9 às 17h, professores e alunos voluntários de Dermatologia da UFF, Uerj, UFRJ e profissionais da Fiocruz e Santa Casa de Misericórdia estarão nesses locais orientando a população sobre como identificar os sintomas da doença, tratamento e, caso necessário, encaminhamento para um serviço especializado. Na rede pública estadual, as unidades de referência são o Hospital Tavares de Macedo (em Itaboraí) e o Instituto Estadual de Dermatologia Sanitária (IEDS), antiga colônia de Curupaiti.
Durante todo o dia, haverá divulgação do evento em bike doors, que circularão nas proximidades das tendas com banners. A iniciativa é fruto de uma parceria com a Sociedade Brasileira de Dermatologia/RJ. Outro parceiro também presente é o Movimento de reintegração das pessoas atingidas pela hanseníase (Morhan) que irá promover apresentações teatrais com palhaços.


A doença
A hanseníase é uma doença infecto-contagiosa crônica, que atinge, principalmente, as células cutâneas e células dos nervos periféricos, mas tem tratamento e cura, que pode chegar a mais de 80% dos casos quando detectada precocemente. Em função do potencial incapacitante, a doença é de notificação compulsória em todo o território nacional.
- A hanseníase se manifesta, inicialmente, através de manchas dormentes brancas ou avermelhadas na pele e o tratamento é feito gratuitamente nos postos municipais de saúde, sem necessidade de internação, a não ser em casos especiais. Mas se não for tratada precocemente, pode causar sequelas graves – explica a gerente de Dermatologia Sanitária, Kédman Trindade Mello.
Anualmente, a subsecretaria de Vigilância em Saúde, através da gerência de Dermatologia, promove capacitações para todos os municípios do estado que abordam o diagnóstico e o tratamento da doença, promovendo a atualização dos médicos, divulgando ações de controle, prevenção das incapacidades, gerência e capacitação de enfermeiros para atuarem como multiplicadores entre os agentes de saúde, entre outros assuntos. A ideia é descentralizar o atendimento da hanseníase, permitindo que os municípios estejam aptos para o tratamento da doença, facilitando, com isso, a detecção dos casos e a terapêutica precoce.
Situação no país
Apesar de o Brasil ter a situação mais desfavorável da hanseníase nas Américas e o segundo maior número de casos novos no mundo, entre 2010 e 2011 o percentual de detecção de casos novos caiu 15% no país. Entre menores de 15 anos, este número baixou em 11%. A meta é que até 2015 haja menos de um caso de hanseníase para cada grupo de 10 mil habitantes. As regiões Norte e Nordeste são as que apresentam a maior incidência de casos.
O Ministério da Saúde tem incentivado a mobilização dos municípios prioritários através do Plano de Eliminação da Hanseníase. Ao todo, 245 municípios receberão recursos adicionais que somam R$ 16 milhões. Esses recursos devem começar a ser liberados ainda neste mês. As secretarias municipais de saúde deverão desenvolver ações como busca ativa de casos novos, tratamento e acompanhamento de portadores da doença, prevenção de incapacidades e reabilitação e vigilância dos contatos no domicílio dos pacientes.

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