Globo, Record e Band adotam posturas diferentes na cobertura da ação policial na Cracolândia


A região da Cracolândia, no centro de São Paulo, foi tomada por policias militares desde a manhã de terça-feira, 3. Durante esses três dias de ação policial, o assunto está no topo dos assuntos mais comentados em toda a imprensa nacional e veículos de comunicação. De forma geral, as emissoras de TV não se opõem à situação, mas também não se mostram favoráveis, apesar de abordar questões diferentes do assunto.
O que parece é que todos decidiram assumir uma posição neutra e que, estritamente, informe ao povo tudo o que acontece em uma das regiões de circulação de drogas mais conhecida do Brasil. Independentemente da linha editorial dos canais televisivos, muitos jornalistas estão “convivendo” com traficantes e viciados do local, pois foram encarregados de cobrir a ação policial. 

Mariana Carvalho
A TV Globo, durante o 'Jornal Nacional' da quarta-feira, 4, mostrou imagens da ocupação policial e deixou claro que alguns usuários de drogas só conseguiram ser controlados pela polícia quando usada a força violenta. O jornalístico global também enfatizou o medo de moradores e trabalhadores da região da Cracolândia, além de dizer que, mesmo com a ocupação da polícia e expulsão dos usuários, a medida criada pelo governo não é algo que resolverá o problema.

Na Record, a cobertura do assunto foi feita sem gerar polêmicas – coisa que a emissora do bispo Edir Macedo bem sabe fazer. Em uma de suas reportagens sobre a Cracolândia, a Record mostrou “o bom trabalho policial na hora de expulsar os viciados em crack da rua Helvética, na região central de São Paulo”. A emissora fez questão de informar que atuação militar só trará benefícios.

A Band tratou de enfatizar a região ocupada, apresentando como ela funcionava e os costumes que imperava com o tráfico. Porém, seus repórteres também mostraram o lado policial, que disse ter somente a obrigação de retirar os viciados das ruas, e não providenciar um local para eles se instalarem. Outro destaque da cobertura da emissora em relação a este caso foi a postura de Luciano Faccioli, do ‘Primeiro Jornal’, que pressionou o comandante da operação, Wagner Gomes, questionando se ele garantiria as ruas “limpas”.

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Viciados entraram em conflito com policiais. 
(Imagem: Reprodução/TV Globo)

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