Ministro das Cidades favoreceu cidade em que sua mulher é prefeita


Mário Negromonte pediu liberação de R$ 100 mil para bancar festa junina em Glória (BA)
O ministro das Cidades, Mário Negromonte, um dos cotados para deixar o governo da presidente Dilma Rousseff neste início de ano, pode ter sua situação ainda mais complicada com uma nova denúncia que veio à tona neste fim de semana. 
Reportagem publicada neste domingo (29) pelo jornal Folha de S. Paulo revela que ele pediu ao Ministério do Turismo que beneficiasse com recursos o município administrado por sua mulher.

De acordo com o jornal, em abril de 2011, Negromonte encaminhou um ofício ao então ministro do Turismo, Pedro Novais, informando-lhe que os R$ 100 mil reservados do Orçamento de 2011 para uma emenda parlamentar de sua autoria deveriam ser destinados ao município de Glória (BA), do qual Ena Vilma Negromonte é prefeita.

No documento, reproduzido na reportagem, o ministro justifica que os recursos seriam utilizados para organizar festas juninas na cidade. Negromonte assinou o pedido como presidente estadual do PP e deputado federal, mas, naquele momento, já estava no comando do Ministério das Cidades.

O jornal informa que os recursos citados pelo ministro foram liberados no dia 20 de maio. 


Além disso, em dezembro de 2011 a prefeita Ena Vilma assinou dois contratos com valor total de R$ 797 mil, com verba de emendas do marido reservados do orçamento do Ministério do Esporte.

À Folha, a assessoria de imprensa do ministro afirmou que Mário Negromonte, como deputado, sempre usou suas emendas individuais para “atender as demandas dos municípios que lhe confiam votos”, como seria o caso de Glória. O R7 tentou contato com a assessoria, mas não teve êxito. 

A possibilidade de Negromonte ser o próximo a ser cortado do governo já é avistada desde o ano passado, quando surgiram as primeiras denúncias contra o ministro.

Em entrevistas recentes, porém, ele disse que não irá pedir demissão e que está “mais firme do que as pirâmides do Egito”, repetindo o tom autoconfiante utilizado por outros ministros que acabaram caindo, como Wagner Rossi (Agricultura) e Carlos Lupi (Trabalho).

Denúncia

Na semana passada, Mário Negromonte exonerou seu chefe de gabinete e braço direito, Cássio Peixoto, após suspeitas de que ele seria o autor da manobra que encareceu uma obra relacionada à Copa de 2014 em Cuiabá (MT), uma das cidades-sede da competição. 

No fim de novembro, reportagem do jornal O Estado de S. Paulo apontou que Negromonte teria dado aval para que a diretora de mobilidade da pasta, Luiza Vianna, forjasse um documento que adulterou um parecer técnico para autorizar a implantação de um VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) na cidade, onde originalmente haveria uma linha rápida de ônibus. Em depoimento no Senado, o ministro negou as acusações.

Cássio Peixoto também foi acusado de receber um lobista e o dono de uma empresa do ramo de informática interessados em fazer negócio com o ministério. Apesar das suspeitas, o Ministério das Cidades disse que o funcionário foi exonerado por estar desmotivado.

Comentários