No Rio, três dias após desabamento de prédios, cinco pessoas continuam desaparecidas


Dezessete corpos foram localizados; bombeiros recolhem entulho pendurado no alto
Carlyle Júnior, do R7
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Fábio Motta / AE


Destroços de prédio mais alto ficaram pendurados em construção ao lado; trabalho dos bombeiros continua

Cinco pessoas continuam desaparecidas neste sábado (28), segundo a Defesa Civil Estadual, três dias após o desmoronamento de três prédios na avenida 13 de Maio, centro do Rio de Janeiro. A tragédia ocorrida por volta das 20h30 da última quarta-feira (25) deixou 17 mortos e seis feridos. Embora as chances de encontrar vítimas com vida sejam mínimas, bombeiros continuam os trabalhos de buscas. As ações chegaram a ser parcialmente interrompidas durante a madrugada por causa da forte chuva que caiu sobre a cidade, mas foram completamente retomadas pouco antes das 9h.
Parentes e amigos dos desaparecidos aguardam por informações oficiais em um posto da Secretaria de Assistência Social que foi montado na Câmara de Vereadores, prédio vizinho ao local da catástrofe na Cinelândia. Uma equipe de médicos e psicólogos presta atendimento.


O secretário estadual de Defesa Civil e comandante-geral do Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro, coronel Sérgio Simões, afirmou na madrugada que irá pedir à prefeitura que faça a recontagem dos desaparecidos. O órgão chegou a receber dados de 27 pessoas sumidas.
- Vou pedir para a prefeitura fazer a recontagem dos desaparecidos para, quando a gente encerrar os trabalhos, terminar com a convicção de que todos foram encontrados.
Dos 17 mortos, 12 já foram identificados e cinco corpos aguardam reconhecimento no IML (Instituto Médico Legal). Os dois primeiros enterros aconteceram na sexta-feira (27). Mais dois ocorrem neste sábado nos cemitérios do Catumbi e de Ricardo de Albuquerque.
Concreto pendurado
A retirada de destroços se concentra na parte do edifício mais alto que não desabou. A parte do edifício Liberdade que ainda ficou de pé está colada ao prédio de número 6 da avenida Almirante Barroso. Com a ajuda de uma escada magirus, os agentes removem o concreto pendurado. Os trabalhos acontecem também nos escombros que estão no subsolo de um dos prédios. A área está alagada.
O coronel Sérgio Simões afirmou na madrugada que suspendeu o descarte dos destroços retirados do local onde três prédios desabaram. O entulho estava sendo levado para um galpão na rodovia Washington Luiz. Segundo o secretário, uma nova etapa nas buscas começou por conta da possibilidade de encontrar vítimas nos destroços retirados.
De acordo com Simões, a equipe esperava encontrar outros corpos no subsolo do prédio, onde as buscas estavam concentradas, porém, apenas uma vítima foi retirada do local. 
- Como não encontramos a quantidade de corpos que esperávamos, vamos iniciar uma nova etapa nas buscas. O descarte dos destroços está suspenso para que possamos fazer um trabalho mais minucioso. Será uma operação manual.
Na madrugada de sexta-feira, a Comlurb, empresa que cuida da limpeza pública do Rio de Janeiro, encontrouum corpo em meio ao entulho retirado. A vítima estava no local para onde os escombros estavam sendo levados.
A tragédia
Três prédios de aproximadamente 18, 10 e 4 andares desabaram pouco depois das 20h de quarta-feira (25), na avenida 13 de Maio, região da Cinelândia, centro do Rio de Janeiro. Houve pânico e correria. Seis pessoas tiveram ferimentos leves. Mais de 20 ficaram soterradas. Um posto de informações para familiares de vítimas foi montado na Câmara dos Vereadores.
As causas da tragédia estão sendo investigadas. O prefeito Eduardo Paes, assim como alguns especialistas, minimizou a possibilidade de explosão. De acordo com avaliações preliminares de técnicos que trabalham no local, as causas teriam ligação com problemas estruturais.
A prefeitura informou que os três imóveis que desabaram estavam em situação regular e possuíam habite-se (ato administrativo que autoriza o início da utilização efetiva de construções ou edificações destinadas à habitação). O prédio de número 44 foi construído em 1940 e era constituído de 18 andares de salas comerciais, além de loja e sobreloja. Os imóveis de números 38 e 40 eram de 1938 e constituídos, respectivamente, por quatro andares de salas comerciais, e por dez pavimentos de salas comerciais, além de loja e sobreloja.
Desde as 6h de quinta-feira (26), estão interditados os seguintes trechos: avenida 13 de Maio e avenida Almirante Barroso entre a avenida Rio Branco e a rua Senador Dantas. Esta última está com mão invertida entre a avenida Almirante Barroso e a rua Evaristo da Veiga. Veículos procedentes da Cruz Vermelha e da avenida República do Chile devem seguir pela rua Senador Dantas.
Equipes de diferentes órgãos, como Defesa Civil, Corpo de Bombeiros, Comlurb etc, trabalham na remoção dos escombros.

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