"O Espião que Sabia Demais" e "Sherlock Holmes" estreiam hoje


Colin Firth em cena de "O Espião Que Sabia Demais"

De um lado, músculos de Robert Downey Jr. e sequências de explosões frenéticas. Do outro, o olhar silencioso de Gary Oldman e cenas que rodam em câmera lenta.

"Sherlock Holmes: O Jogo de Sombras" e "O Espião que Sabia Demais" estreiam hoje no Brasil, ambos ambientados na Inglaterra de ontem (1891 e 1973, respectivamente).
Apesar da temática próxima entre detetives e espiões, não poderiam ser mais diferentes: enquanto o diretor Guy Ritchie abusa da velocidade dos efeitos especiais, Tomas Alfredson aposta numa trama à moda antiga.


FERNANDA EZABELLA
DE LOS ANGELES
ANNA VIRGINIA BALLOUSSIER
ENVIADA ESPECIAL AO RIO

"O Espião", baseado em best-seller de John le Carré e líder de bilheteria na Grã-Bretanha por três semanas seguidas, conta a história de um grupo de agentes secretos britânicos em busca de um agente duplo soviético infiltrado.
Oldman é o espião veterano obrigado a voltar à ativa. Entre seus colegas está Colin Firth, em seu primeiro grande papel após o Oscar de ator por "O Discurso do Rei" (2010).
Que fique tranquilo quem sair do cinema sem entender nada -faz parte da experiência, segundo o diretor sueco Tomas Alfredson. "Ouvi tantas interpretações diferentes do final... O público hoje é alimentado de colherzinha pelos diretores, e não quero ter que decidir tudo num filme."
É de Alfredson o premiado "Deixe Ela Entrar"(2008), filme sobre uma menina vampira num subúrbio de Estocolmo. No novo trabalho, ele recria o começo dos anos 1970 em Londres, no auge da Guerra Fria, com cenas elegantes dentro de salas enfumaçadas.
"Queríamos dar uma ideia de paranoia, como se houvesse um estranho na sala."
ELEMENTAR
De paranoia Sherlock Holmes entende bem. Na sequência do blockbuster de 2009, Robert Downey Jr. revive sua versão acelerada do detetive, ao sabor dos anos 00. E mais obcecado do que nunca.
Holmes está convencido de que James Moriarty (Jared Harris), professor de inteligência à altura da sua, está por trás de uma série de atentados terroristas na Europa.
Megalomaníaco como todo bom vilão, Moriarty quer nada menos do que começar a primeira guerra mundial, às portas do século 20.
Downey Jr. defende seu Sherlock "rock' n' roll", uma mistura de nerd da classe com bonitão perito em artes marciais. Fãs mais apegados à imagem do sujeito cerebral "talvez estejam certos", diz. "Há tantas formas diferentes para se interpretar esse filme. Mas nós gostamos. E as pessoas parecem gostar".
Há planos para um terceiro filme de "Sherlock", afirma. Mas sem correria. "Quando não há pressa, as coisas tendem a sair melhores."
Às vezes, meu caro Watson, é preciso pôr o pé no freio.

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