Em Búzios, Banco do Brasil troca gerência, enquanto clientes esperam duas horas em fila


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Um dos gerentes, Luiz Gustavo (ao fundo, de gravata), conversa com as pessoas na fila. Segurança pediu que os policiais não deixassem tirar fotos dentro da agência. Em vão. 
Bruno Almeida
O novo gerente do Banco do Brasil em Búzios, Ronaldo Dias, tomou posse na última quinta-feira (23), em cerimônia em Cabo Frio, com a presença inclusive da superintendência regional, situada em Niterói. Dias, transferido de Tanguá, assume no lugar de Alberto Barreto, cedido a Macaé. Por ironia, durante a posse, a agência buziana passava por um problema que já é recorrente, motivo de muita enxaqueca dos clientes: defeito na porta giratória.
Às 11h, horário de abrir a agência, a fila já se formava. Mas como o detector de metais da porta não estava funcionando, a solução foi manter os clientes em fila, enquanto alguns funcionários informavam que talvez o banco nem fosse abrir, e outros diziam que a polícia estava sendo aguardada para ‘ajudar no reforço’, já outros falavam que a situação só se regularizaria quando o gerente voltasse do almoço. Com isso, nem as senhas foram dadas. O impasse durou duas horas, tempo em que muitos desistiram de esperar, mas a maioria permaneceu de pé, reivindicando seus direitos, e ensaiando um início de tumulto.
- É uma falta de respeito, tá vendo aquele casal de idosos ali? Eles já estavam aqui há meia hora, quando começaram a passar mal. Ela está até com a perna machucada. Tive que pedir cadeiras pra eles, porque os funcionários não estão preocupados conosco, só querem saber da segurança deles. E se fosse os pais de um deles? E se esse senhor morre aqui? – não se conforma o taxista Rony Campanaro.
- Liguei para o Serviço de Assistência ao Consumidor e de lá disseram que a resposta sobre o problema poderia ser dada só em cinco dias. Aqui falam que o gerente foi almoçar. Mas como pode, o banco abre às 11h00, e às 11h40 o gerente sai pra almoçar? E na ausência dele não tem um sub-gerente, um chefe de setor para atender, nos dar uma explicação pelo menos? O cidadão brasileiro tem mesmo que sofrer assim? – lamenta o mestre de obras Leandro dos Santos.  
- Eu venho aqui constantemente e é comum isso acontecer. Essa porta vive enguiçada, ela já é reincidente – tenta achar graça a aposentada Raílda Vasconcelos. 
- Interessante é que se você estiver com uma mochila cheia de materiais de metal (e hoje em dia o que não é de metal?), eles dizem pra você que não precisa tirar os materiais, basta deixar a mochila cheia lá na frente (até porque, uma mochila desse tamanho não passa na gaveta que se deixa celular e guarda-chuva) e pegar quando sair do banco. Ou seja, você pode confiar neles, mas eles não podem confiar em você. Isso é injusto, com tanta tecnologia, deveria haver formas mais inteligentes de detectar possíveis crimes. A pessoa mal intencionada não vai tentar passar com um revólver pela porta, pois sabe que não vai conseguir; os ladrões usam outros meios de assaltar. E enquanto o povo passa por humilhações como essa, ficando horas a disposição de um banco, os bandidos continuam roubando do mesmo jeito. Eu nunca ouvi dizer que uma porta giratória impediu assalto, mas volta e meia a gente vê na mídia pessoas passando por vexame, até morte de inocente. E a Lei que diz que você não pode levar mais de quinze minutos em fila de banco, quem de fato fiscaliza? Quem aplica punições contra as instituições financeiras que desrespeitam o consumidor? De qualquer jeito, ninguém se sente seguro com seguranças, mesmo sabendo que são profissionais, armados ao seu redor – desabafa o músico Bruno Silva. 
Já se aproximava das 13h00 quando o gerente de contas e empresas, Luiz Gustavo chegou do almoço acompanhado por outro funcionário administrativo, André. Ele teve paciência em responder as indagações dos cidadãos que já estavam pra lá de inconformados e nervosos. 
- Estamos aguardando o que o Núcleo de Segurança do banco, no Rio de Janeiro irá resolver. A PM já foi acionada e também estamos aguardando – explicou Luiz. 
Minutos depois, os policias enfim chegaram, e disseram que tinham acabado de receber o chamado, pensando tratar-se de um assalto. Eles concluíram que não poderiam ‘reforçar a segurança’, pois a mesma é de responsabilidade da segurança interna do banco, que naquele momento contava com três homens. 
- Trata-se de um problema particular, de mecânica, não podemos ficar aqui – disse um policial, ao se retirar. 
Em seguida, a solução encontrada pelo banco, foi que entrassem de três em três clientes, com senha, e assim eles começaram a entrar sem serem revistados.    

Bancos pelo Brasil começam a abolir portas giratórias  

Uma reportagem da Folha de São Paulo publicada no último dia 9 revela que um fenômeno está acontecendo pelo país: a retirada das portas giratórias dos ‘principais bancos’, forma encontrada por eles para escaparem dos inúmeros processos judiciais (a maioria de ‘Danos Morais’) movidos por clientes constrangidos diante de dificuldades de acesso às agências após o travamento das portas. 
Na reportagem de Rogério Pagnan e Afonso Benites, aparecem Itaú e Bradesco, como bancos que começam a promover a retirada desses obstáculos, e a tendência é que eles sejam seguidos por outros bancos pelo Brasil. O Itaú confirma a mudança. Diz que retirará essas portas em todas as agências do país, e só manterá onde for obrigado por lei (municipal ou estadual) ou por insegurança. Já o Bradesco nega, apesar de casos registrados pela reportagem do jornal paulista.
JPH

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