Federações já costuram sucessor de Ricardo Teixeira


Weber Magalhães, à esquerda, e Teixeira - Fábio Motta/AE
Nome mais indicado é o do vice-presidente da Região Centro-Oeste, Weber Magalhães
Sílvio Barsetti - estadão.com.br
Os indícios de que Ricardo Teixeira deve deixar a presidência da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) até o carnaval – pediria licença ou renunciaria – deflagrou um movimento de federações estaduais em busca de um nome que pudesse substitui-lo.
Há em curso uma articulação de algumas dessas entidades para que o atual vice-presidente da CBF da Região Centro-Oeste, Weber Magalhães, ocupe o cargo se Teixeira realmente deixar a confederação.
Não tolerariam o nome de José Maria Marin, vice da Região Sudeste e, pelo estatuto da CBF, o indicado à vaga por ser o mais velho entre todos os cinco vices. Weber Magalhães presidiu a Federação Brasiliense de Futebol de 1996 a 2004 e chefiou a delegação brasileira na Copa do Mundo de 2002, na Coreia do Sul e Japão. É homem de confiança de Teixeira, para quem trabalhou como assessor parlamentar entre 1989 e 1992 em Brasília.


Ouvido nesta quarta-feira à noite pelo estadão.com.br, durante a festa de aniversário de seu pai, que completou 91 anos, Magalhães se disse triste com a possibilidade de Teixeira deixar a presidência da CBF. “Ele é um dirigente vitorioso, conseguiu dois Mundiais para o Brasil, e sempre sonhou com uma nova Copa no País.”
Cauteloso, contou que as federações receberam com surpresa a demissão de Marco Antonio Teixeira da secretaria-geral da CBF, na semana passada. Marco Antonio é tio de Ricardo Teixeira e nas últimas duas décadas era o elo da entidade com as federações estaduais.
Técnico legislativo do Senado Federal e formado em educação física, Weber Magalhães, de 53 anos, seria o terceiro vice, por idade, em condições de assumir a CBF em caso de desligamento de Teixeira. Depois de Marin, o mais velho é Fernando Sarney, de 57 anos. O filho do presidente do Senado, José Sarney, é vice-presidente da Região Norte.
Para chegar ao cargo, Weber Magalhães dependeria da convocação de uma assembleia-geral, o que pode ser feito pela maioria das 27 federações a qualquer momento. “Tenho uma grande amizade com os presidentes de federação. Sempre os recebi muito bem aqui em Brasília”, disse. “O futebol está na minha veia há mais de três décadas”, acrescentou Weber, que foi preparador físico de seleções do Distrito Federal, técnico de futebol do Brasília e atuou como atleta amador pelo Gama e Guará.
CONTRA PAULISTAS
Ele já está há oito anos na vice-presidência da CBF. Tem bom trânsito também com Luiz Felipe Scolari, técnico campeão do mundo em 2002. “Quando estamos juntos, sempre lembramos daquela campanha na Coreia e Japão.”

Embora Weber Magalhães não confirme contato com federações, pelo menos três presidentes dessas entidades já iniciaram um movimento de apoio ao brasiliense. A resistência ao nome de José Marin teria conotação política movida por uma disposição de não deixar a Confederação Brasileira de Futebol sob comando de dirigentes paulistas.
“O Andres Sanchez (diretor de seleções) é voz forte na CBF, o Marco Polo del Nero (presidente da Federação Paulista) está associado ao Marin na possível nova empreitada. E eles já têm o Reinaldo Carneiro Bastos (vice da Federação Paulista) como a pessoa que toca a Série B do Brasileiro. É preciso brecar isso”, disse ao estadão.com.br o presidente de uma dessas federações, que esteve no Rio. Ele pediu anonimato.

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