Quando os Supremos (não) se tocam


Se a preposição latina super, de gloriosa carreira, queria, como se sabe, dizer “sobre, acima, além”, superus era o que estava acima de algo, em posição mais elevada, e superrimus, superlativo de superus, o que estava acima de todos os outros. Pois o adjetivo supremo, antes de ser supremus, foi superrimus. O que está mais alto entre todos.
As relações de sinestesia estabelecidas desde tempos imemoriais, nas línguas mais diversas, entre as ideias de altura, elevação, de um lado, e verdade, força e bondade, do outro, recobrem de sentidos positivos o adjetivo supremo, tradicionalmente associado a Deus.
Quando acontece de o Supremo Tribunal Federal fazer jus a toda a gama de conotações positivas que se grudam inevitavelmente ao seu nome, como no caso de sua decisão pró-CNJ, a língua também agradece.


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A violência e a estupidez também podem ser supremas, claro. Como no caso da “prisão nacional” em que o governo cubano mantém a blogueira Yoani Sánchez. Se o governo brasileiro, para o qual ela acenou esperançosamente, tivesse seguido a concessão do visto (de 30 dias) a Yoani com meia palavra sobre direitos humanos, feito meio gesto, talvez a burocracia de Raúl Castro não persistisse no erro de, em pleno 2012, lhe negar pela 19ª vez permissão para deixar o país.
Yoani é uma cronista talentosa. Deve ser duro um país chegar à situação de declarar um grande risco para a ordem constituída uma cronista talentosa. 
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