Veja como foi a primeira noite de desfiles na Sapucaí


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Sete escolas de samba passaram pelo Sambódromo do Rio na primeira noite de desfiles do Carnaval carioca. Todas as agremiações conseguiram encerrar suas apresentações no tempo previsto, apesar de alguns problemas com carros alegóricos como com o da Imperatriz Leopoldinense.
O samba, a bateria e um desfile multicolorido foram os principais destaques da escola de samba Renascer de Jacarepaguá, que abriu a primeira noite de desfiles do Grupo Especial do Rio de Janeiro neste domingo (19). Estreante na elite do Carnaval carioca, a vermelho e branco da zona oeste apostou em alegorias gigantes e luxuosas para homenagear o pintor pernambucano Romero Britto, com o enredo O Artista da Alegria Dá o Tom da Folia.


A Portela teve como marca registrada muita animação e emoção. A evolução da escola na Sapucaí animou o público de mais de 70 mil pessoas, que cantou o samba-enredo e seus três refrões. Muito agitados, os componentes continuavam a sambar mesmo na dispersão. Sem levar o troféu de campeã para Madureira há 28 anos, a águia da Portela está com sede de vitória. A azul e branco apostou em um enredo que homenageia a Bahia e seu universo de crenças e festas. Para comandar o desfile, a agremiação escolheu a cantora Clara Nunes como anfitriã, que foi representada pela cantora Vanessa da Matta.
A escola de samba Imperatriz Leopoldinense declarou seu amor por Jorge Amado na Marquês de Sapucaí. Os últimos componentes tiveram que correr, pois o portão da dispersão já se fechava quando o último passou. Outro momento de tensão marcou o desfile. Um problema no sétimo e último carro da escola, que trazia as esculturas de Jorge Amado e Zélia Gatai, prejudicou a apresentação. Destaque à frente da bateria há 17 anos, a modelo Luiza Brunet, uma das figuras mais tradicionais no Carnaval carioca, quer entrar neste ano para o livro dos recordes como a madrinha de bateria mais antiga.
As tintas de Cândido Portinari coloriram a Marquês de Sapucaí no desfile da Mocidade. A escola de Padre Miguel trouxe o enredo “Por ti, Portinari, rompendo a tela, a realidade” e apresentou a trajetória do artista, mesclando vida e obra na avenida. As cores vibrantes formaram grandes contrastes na Sapucaí, a exemplo da bateria. Com ritmistas multicoloridos, a ala abriu passagem para uma fila de passistas, que tinham o branco como cor predominante. O recurso chamou a atenção e agradou o público.
A escola de São Gonçalo, na região metropolitana, apostou na irreverência para contar a história do iogurte. No entanto, muitos consideraram o desfile da Porto da Pedra “morno”. Patrocinada por uma marca de laticínios, a vermelho e branco levou para a Sapucaí o enredo Da Seiva Materna ao Equilíbrio da Vida. O ator Maurício Mattar veio no segundo carro, representando Moisés.O colega Marcelo Serrado também veio em destaque na escola, na pele do comerciante espanhol Isaac Carasso, que difundiu o iogurte para o mundo. A fantasia da rainha de bateria Ellen Roche também fez os marmanjos babarem na avenida. À frente dos ritmistas da vermelho e branco, a atriz personificou a riqueza do leite.
Emoção tomou conta do desfile da Beija-Flor. Com o enredo que cantava as belezas e a cultura do Maranhão, terra natal do seu saudoso carnavalesco Joãosinho Trinta, que morreu em dezembro passado, ela deixou a avenida sob os gritos de “é campeã!”. O enredo “São Luís – O Poema encantado do Maranhão” encantou a Sapucaí com a justa homenagem à terra do reggae brasileiro, do Bumba Meu Boi e dos Lençóis. Neste ano, a Beija-Flor resolveu “ressuscitar” o Cristo mendigo do maranhense, alegoria que deu o que falar no desfile de 1989. A novidade é que a escultura, que há 23 anos entrou coberta por um plástico preto, foi revelada na Sapucaí nesta segunda com o rosto do carnavalesco maranhense.
Aos gritos de “é campeã!” a Vila Isabel chegou à Marquês de Sapucaí para encerrar a primeira noite de desfiles do Grupo Especial do Rio de Janeiro já no fim da madrugada desta segunda-feira (20). Os 3.800 componentes desenvolveram o enredo “Você Semba lá… Que Eu sambo Cá! O canto livre de Angola” que apresentava similaridades entre o continente africano e o Brasil. Já na comissão de frente a escola mostrou a que veio. Os 15 componentes coreografados por Marcelo Misailidis representavam a savana africana e sua atmosfera mística.

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