Brasileiras solteiras são as mais otimistas do mundo, mostra pesquisa


No geral, as mulheres do mundo reportam uma felicidade maior que a dos homens
Priscila Chammas

Kátia é jovem, solteira, moradora de uma cidade grande - Salvador - e brasileira. Essa moça aí do lado é o retrato da felicidade, segundo a pesquisa De Volta ao País do Futuro, divulgada ontem pela Fundação Getulio Vargas (FGV).
No estudo do professor  Marcelo Neri, as mulheres brasileiras são as mais otimistas do mundo. Solicitadas a dar uma nota de 0 a 10 sobre sua provável felicidade em 2016, obtiveram uma média de 8,98, a maior entre os 132 países pesquisados.
No que tange à felicidade atual, as brasileiras também não fizeram feio: 17º lugar no ranking. A publicitária Kátia Monique Sena Gamboa de Santana,  24 anos, confirma o que diz a pesquisa. Ela dá nota 10 à sua felicidade presente, e à futura também. “Estou trabalhando na minha área, tenho uma família maravilhosa, muitas amigas. Com certeza sou uma pessoa feliz. E daqui a cinco anos quero estar melhor ainda, tanto profissionalmente quanto na vida pessoal”, destaca.
Conquistas 
Neri explica o resultado da pesquisa pelas conquistas femininas no Brasil, nos últimos anos. “Começou em 1996, quando elas ultrapassaram a escolaridade dos homens. Em 2006, ultrapassaram a renda oriunda de aposentadoria e programas sociais. Além disso, elas vêm, cada vez mais, tendo seu esforço reconhecido no trabalho”, analisa.

 
Brasileiras solteiras são as mais otimistas do mundo, mostra pesquisa

E a tendência é mundial. No geral, as mulheres do mundo reportam uma felicidade maior que a dos homens tanto no presente (5,35 contra 5,31), quanto no passado (4,94 a 4,92) e no futuro (6,74 delas contra 6,69 deles).
No Brasil, a regra se repete no futuro e no presente. A felicidade futura das mulheres é de 8,98, contra 8,56 dos homens. Na felicidade presente, o placar é 6,73 a 6,54. No passado, porém, os homens ganham pela primeira vez: 5,86 deles contra 5,43 delas.

Solteiras 
Mas não basta ser mulher, tem que estar solteira. É o que indica a pesquisa. Os dados indicam que as mulheres solteiras (de todo o mundo) apresentam índices de otimismo de 7,28, contra 6,68 das casadas, 6,46 das divorciadas e 5,6 das viúvas. Sobre esse aspecto, o estudo conclui que mulheres  com a liberdade e o poder de comandar suas vidas são mais satisfeitas e otimistas.

Perguntada sobre o assunto, Kátia disse que adora festas, badalação e sua liberdade. No entanto, ela avalia que um namoro não necessariamente iria cercear seu direito de ir e vir. "É tudo muito relativo. Muitos namorados mantêm suas vidas sociais quando iniciam o relacionamento", opina.
Cidade grande 
Outro item que eleva a felicidade das pessoas, segundo o estudo da FGV, é o fato de residir em cidades grandes. Mulheres que vivem em cidades maiores classificam seu índice de felicidade futura com nota 6,74. As que moram em cidades menores têm 6,31 de felicidade, e as da zona rural, por sua vez, atribuíram nota 5,88.

Idade 
Segundo a pesquisa, o pico de otimismo com relação à vida futura ocorre aos 21 anos, quase a idade de Kátia, e a partir daí, vai diminuindo gradativamente, à medida que a idade aumenta. Por sua vez, o estudo confirma o que uma conversa com um idoso poderia apontar: pessoas mais velhas têm um maior índice de felicidade passada, ou seja, consideram que eram muito felizes no passado: o pico é aos 85 anos.

Já a felicidade no presente, tem seu maior índice entre as pessoas de 65 anos. Isso considerando os dois sexos, dos 132 países pesquisados.
Brasil supera a Dinamarca
Enquanto o Brasil é apontado como um país do futuro, e de grande expectativa de felicidade, do outro lado do ranking estão a Síria e o Burundi. A primeira vem enfrentando uma situação política conturbada e o segundo é o país mais pobre do continente africano.

De volta ao extremo mais feliz da lista, o Brasil supera até mesmo a Dinamarca, campeã no índice de felicidade presente. Nosso país é tetracampeão na categoria. Na última pesquisa, em 2006, tivemos nota 8,6, diante de uma média mundial de 6,7. Na pesquisa mais recente, o segundo e o terceiro lugares ficaram com Panamá e Colômbia, como mostra o gráfico. No geral, os países localizados nas Américas do Sul e do Norte apresentaram um resultado mais otimista.
Por sua vez, os países localizados na África tiveram índices piores. Em 2006, o Brasil era o número 22 em felicidade presente, e agora pulou para 17. Com isso, o estudo conclui que os grandes problemas brasileiros, como desigualdade e  violência, não são individuais, mas coletivos, e por isso não influenciam tanto na atribuição da nota.

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