Em Búzios, médica troca receituário e medicamento de paciente


977844


Colaborador: Bruno Almeida
A dona de casa Ana Maria Rosa Santana tinha o número 15, para ser atendida pela neurologista Luciene Gomes, na Policlínica, na última quarta-feira (29). Ao ser chamada pelo nome, ela adentrou ao consultório, e pediu que a médica lhe prescrevesse seu medicamento. Mas estranhou quando a médica lhe receitou Amitriptilina ao invés do seu já conhecido Prozen.  
- Eu disse: doutora, eu não tomo esse remédio. E ela disse que não haveria problema mudar, que eles eram parecidos. Acontece que há cerca de um ano ela já havia trocado minha medicação. Eu tomava Pondera, e ela passou Clo, dizendo também que não haveria problema. O que aconteceu foi que, assim que tomei, comecei a sentir dores de cabeça muito fortes e tonteiras, até ir parar no hospital por duas semanas, em coma. O médico falou que eu tive um AVC, e ela disse que não, que foi uma epilepsia muito forte, e que não teve nada a ver com o remédio. 
Ana Maria chegou a pegar os remédios na Policlínica, mas qual não foi sua surpresa, quando, só aí, constatou que o erro da doutora foi grave: no receituário não havia seu nome, e sim o de outra paciente: Sônia Maria G. Furtado.  
Procurada, por telefone a doutoura admitiu o erro, disse que já estava tudo resolvido, e quis dividir a culpa com a paciente, já que a mesma não lembrava o nome do remédio que ela tomava, e que levaria em conta, quanto a publicação da matéria, o fato de Ana ser uma paciente pisiquiátrica e sofrer de depressão, o que a faz sentir-se perseguida.
- Pode fazer a matéria, aliás, ela terá muita repercussão, pois é tão importante! – ironizou a médica.

Na quinta-feira, o diretor da Policlínica, Marcos Nelson, recebeu a reportagem do PH e disse que neste caso, a Policlínica é também a vítima:
- O que aconteceu foi uma triste, lamentável confusão. Havia uma pilha de prontuários em cima da mesa, o nome da Sônia Maria (que realmente faz uso do medicamento receitado) estava bem abaixo do da Ana Maria, e por um descuido, uma falta de atenção que pode acontecer com qualquer um, houve o equívoco. A médica foi chamada a atenção, responde a medidas administrativas, e foi quem mais aprendeu com isso. Na pior das hipóteses, se a Ana tomasse esse medicamento, isso não traria malefícios, pois se trata de dois antidepressivos. Que fique claro uma coisa: a Policlínica nesse caso também é vítima. O que nós pudemos fazer, nós fizemos: ela foi agendada, teve a consulta, já recebeu a medicação correta, pediu para ser consultada a partir de agora com outro psiquiatra e isso será feito. O que houve no consultório, é uma coisa entre médica e paciente, a Policlínica não pode ser culpada. Erros como esse podem acontecer até em consultórios particulares. 
Troca de comando e ‘Teclado do Leitor’
Marcos Nelson, otorrinolarin-gologista, já trabalhava na Policlínica, e assumiu a direção da unidade há cerca de um mês, ocupando o lugar do Doutor Tristão. Coincidentemente, sobre um assunto que se assemelha ao decorrido nesta matéria, ainda esta semana o PH recebeu um email da leitora Paulina Mogilevsky, onde ela diz: “Estou indignada, pelo fato de precisar de uma receita para remédio controlado indicado por meu médico, mas para minha surpresa ele me diz: ‘não tenho receituário, tem que pedir para enfermaria, e eles solicitarem ao diretor’. Eu pergunto ao senhor diretor o motivo do médico não ter o receituário em suas mãos. Pode ser que houve uma entrega desmedida, que o senhor deveria resolver, mas não posso, por isso, me colocar em uma situação constrangedora, do momento que no meu prontuário figura o uso do medicamento que preciso comprar na farmácia. Espero que o senhor resolva essa situação o mais rápido possível”.
JPH

Comentários