No Rio, Conselho do Corpo de Bombeiros define futuro de líder grevista da corporação


Cabo Benevenuto Daciolo corre risco de ser expulso

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Daciolo foi flagrado em escutas telefônicas organizando greve

Uma nova audiência do Conselho Disciplinar começará a definir nesta sexta-feira (9) o futuro do cabo Benevenuto Daciolo no Corpo de Bombeiros. Apontado como líder do movimento grevista que luta por reajuste salarial da classe, ele responde por incitamento e aliciamento a motim e corre risco de ser expulso da corporação.
Na última segunda-feira (5), Daciolo já havia sido julgado pela banca, que o considerou culpado. Contudo, como novos documentos foram anexados ao processo, uma nova sessão foi marcada para esta sexta.
Caso os três conselheiros mantenham a posição, a decisão sobre a permanência do cabo no Corpo de Bombeiros ficará a cargo do comandante-geral Sérgio Simões. Ele terá prazo inicial de cinco dias para publicar seu veredicto no boletim interno da corporação.


A mulher de Daciolo, Cristiane Daciolo, acha difícil que a banca reveja a posição. Entretanto, mantém firme a esperança de que o pesadelo vivido pelo marido esteja com os dias contados.
- A gente conhece como isso funciona e é muito complicado. Não acredito que eles mudem. Mas a esperança é a última que morre. Torço para acabar logo esse sofrimento.
Daciolo foi preso dia 9 de fevereiro, depois de ser flagrado em escutas telefônicas supostamente negociando estratégias grevistas com líderes do movimento na Bahia e no Rio. A paralisação, que englobava bombeiros, policiais militares e civis, foi anunciada oficialmente no dia seguinte, em uma assembleia na Cinelândia, no centro da capital fluminense.
Companheiros também são considerados culpados
Os dez bombeiros que ficaram presos com Daciolo no complexo penitenciário de Bangu (zona oeste), em meados de fevereiro, foram considerados culpados pelo Conselho de Disciplina, em audiência realizada na quarta-feira (7). Eles também respondem por incitamento e aliciamento a motim.
O procedimento sobre o futuro do grupo de bombeiros é idêntico ao aplicado a Daciolo. Os conselheiros enviarão um relatório ao comandante-geral. Sérgio Simões decidirá se os acusados receberão, ou não, punições, que podem ir desde suspensão temporária até a exclusão do Corpo de Bombeiros.
Movimento enfraquecido
A prisão das principais lideranças refletiu no movimento, que acabou perdendo força. No dia 13 de fevereiro, a greve foi suspensa, após assembleia geral realizada na Lapa, região central do Rio.
O anúncio da paralisação foi marcado pelo desabafo de Ana Paula Matias, mulher do sargento Alex Matias, do 2º GMar (Grupamento Marítimo), que falou em nome do marido e de seus companheiros.
- Nunca deixamos de atender à população. O que existe é a luta pela Justiça. A luta neste momento não é mais por dignidade salarial, é simplesmente pela dignidade humana. O único crime será manter esses homens presos.

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