TSE avalia positivamente testes de segurança na urna eletrônica


 Terminou na quinta-feira (23) a 2ª Edição dos Testes Públicos de Segurança do Sistema Eletrônico de Votação, promovidos pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). “Feitos estrategicamente antes da eleição, o testes de segurança são uma espécie de teste final para comprovar que os requisitos de segurança que estão instalados na urna eletrônica são seguros o suficiente para funcionarem na eleição. O resultado dos testes é sempre positivo para o Tribunal”, afirma o secretário de Tecnologia da Informação da Corte, Giuseppe Janino.
Durante três dias, 24 investigadores distribuídos por nove grupos estiveram na sede do Tribunal, em Brasília-DF, para apresentarem e executarem planos de “ataque” aos componentes externos e internos da urna eletrônica, com o objetivo de contribuir com o aperfeiçoamento do software e/ou do hardware do sistema. Participaram desta edição profissionais independentes, acadêmicos e pesquisadores ligados a universidades, órgãos públicos e instituições técnico-científicas.
Como resultado dos 20 planos executados e das sugestões apresentadas pelos participantes, o TSE já implementou uma melhoria no que se refere ao Registro Digital do Voto (RDV), arquivo criado a partir de procedimentos matemáticos (algoritmos) e onde ficam armazenados, de forma embaralhada e aleatória, os votos do eleitor. Essa espécie de tabela foi criada para permitir a auditoria da votação e, inclusive, a recontagem dos votos por parte dos partidos políticos e demais interessados.



Os integrantes do Grupo 1, formado por servidores da Universidade de Brasília (UnB), conseguiram refazer o sequenciamento dos votos apresentados pelo RDV, sem, contudo, quebrar o sigilo do voto. “Nós aprendemos muito com as contribuições dos grupos e já implementamos, imediatamente, um reforço nesse algoritmo, isto é, aumentamos a sua complexidade. Digamos que essa contribuição surtiu efeitos imediatos e nós teremos, certamente, para a eleição de 2012, um algoritmo mais fortalecido”, ressalta Janino.
Os resultados e as conclusões serão apresentados em audiência pública no dia 29 de março, às 10h, também na sede do TSE. Os investigadores que efetivamente tiverem participado do evento receberão certificados de participação, que serão entregues pelo presidente da Corte, ministro Ricardo Lewandowski.
O evento tem o apoio do Centro de Tecnologia da Informação Renato Archer (CTI), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e da Universidade de Brasília (UnB). A primeira edição dos testes públicos de segurança foi realizada em 2009.
Avaliação
Na opinião de Antonio Montes Filho, membro da Comissão Avaliadora dos testes, a segunda edição do evento “foi melhor que a primeira”. “Na primeira edição, apesar da excelente contribuição de vários órgãos da administração pública que se prontificaram em participar dos testes, não houve a possibilidade de eles se prepararem, não houve a fase de preparação. Eles não tiveram acesso ao código-fonte, impedindo que fossem elaborados testes mais complexos”, lembra o pesquisador do Centro de Tecnologia da Informação Renato Archer (CTI/MCT).
Segundo Montes Filho, desta vez os testes foram mais amplos, já que os participantes puderam conhecer o funcionamento do sistema e sua complexidade, permitindo, dessa forma, que os investigadores se preparassem melhor para o evento. Como consequência, as equipes demonstraram muito “entusiasmo e aplicação”. “É mérito do TSE possibilitar esse acesso à urna eletrônica. Isso está alinhado com a filosofia de transparência do TSE e espero que o Tribunal continue nesse caminho”, complementa.
Para o diretor da Faculdade de Computação da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), Jamil Salem Barbar, que também integra a Comissão Avaliadora, os testes mostram a transparência do TSE, ao disponibilizar aos interessados acesso ao sistema eletrônico de votação, receber as contribuições das equipes e implementar as melhorias necessárias. “Isso é para aperfeiçoar ainda mais o nosso sistema de votação aqui no Brasil”, destaca.
O estudante do curso de Ciência da Computação da Universidade do Ceará (UECE) Luiz Gonzaga Mota Barbosa participou do evento, integrando o Grupo 9. A equipe teve como foco relacionar o registro do voto a um eleitor, tentando quebrar o sigilo do voto. Ele avalia os testes como importantes para a sociedade como um todo.  “Sem dúvida, esse evento é bom para todos: tanto para o TSE, como Tribunal, quanto para a universidade e para o eleitor”, frisa.
Na opinião do estudante, antes dos primeiros testes públicos, ocorridos em 2009, o sistema eletrônico de votação brasileiro era “muito obscuro” para os cidadãos. “E havia aquele receio de que, ‘se eles escondem demais, é porque tem alguma coisa mal feita’. Com esses testes, o TSE passa a abrir mais o sistema e começamos a ver que a coisa é um tanto diferente, que o sistema é bem complexo”, conclui.
Mais informações sobre o sistema eletrônico de votação podem ser obtidas no site Biometria e Urna Eletrônica.
LC/LF

Comentários

Aparício Fernando disse…
Na realidade o que deveria ser investigado são as urnas eleitorais. Em Saquarema-RJ aconteceu um fato muito estranho. Antes das eleições era só andar pelas ruas e perguntar em quem o eleitor iria votar que a resposta era unânime: Pedro Ricardo, candidato da oposição. Pois bem, o rapaz perdeu em todas, eu disse todas as 173 urnas da cidade. Perdeu e perdeu de muito. O mais estranho é que hoje, um mês após as eleições, você vai às ruas e os eleitores continuam unânimes em dizer que votaram em Pedro Ricardo. Seria muito mais cômodo pro eleitor dizer que votou na candidata vitoriosa. Mas não, o eleitor bate o pé afirmando que votou no outro. Curiosamente, é difícil encontrar alguém que confirme que votou na candidata vencedora, que coincidentemente é a esposa do deputado estadual Paulo Melo, presidente da ALERJ. Existem vários relatos da internet e inclusive vídeos no YOUTUBE atestando a vulnerabilidade das urnas eleitorais. Está lá pra quem quiser assistir. O fato é que esse triunvirato: Cabral, Zveiter e Paulo Melo atenta contra a democracia. Todos os poderes encontram-se de um lado só da balança, prejudicando a alternância do poder, principal filosofia da democracia. O fato é que não adianta espernear, pois o TSE, por mais que existam evidências que comprovem, jamais irá admitir fraudes em suas 'caixas pretas'. O ideal seria que a urna eletrônica emitisse, também, um cupom onde mostrasse em quem o eleitor votou. E que esse cupom fosse colocado numa urna tradicional ao lado dos mesários, para fins de comprovação posterior. Uma coisa é certa: nenhum outro país no mundo, depois de examinar, quis comprar nosso ‘avançadíssimo, rápido e moderno' método de escrutínio, nem o Paraguai.