Arma usada para assassinar juíza em Niterói pertencia ao Exército


Pistola teria sido recolhida de bandidos após operação em São Gonçalo
Evelyn Moraes/R7
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O carro foi abordado e atacado na porta da casa da juíza

A pistola calibre 45 usada noassassinato da juíza Patrícia Acioli, em 11 de agosto de 2011, em Niterói (região metropolitana), pertencia ao Exército Brasileiro. Após perícia, a informação foi incluída no inquérito conduzido pela Polícia Federal. A magistrada foi morta na porta de casa, com 21 tiros. Os criminosos usaram outras duas armas, uma pistola .40 e um revólver magnum calibre 357.
A arma, que foi apreendida no fim de setembro em uma comunidade de Jacarepaguá, na zona oeste do Rio, tem gravações que fazem referência ao Exército. De acordo com a polícia, a pistola foi encontrada após denúncias de moradores locais.


Segundo o depoimento “delação premiada” do cabo Sérgio Costa Júnior, que participou diretamente do crime, as três armas foram conseguidas nos chamados “espólios de guerra” — objetos recolhidos de traficantes — após operações no morro da Coruja, em São Gonçalo, região metropolitana.
Consta também no inquérito da PF que um rapaz teria sido convocado pelo grupo que planejou o assassinato da magistrada para buscar uma das armas utilizadas no homicídio e colocá-la junto ao corpo de um PM que seria assassinado por eles em São Gonçalo.
Com isso, os assassinos de Patrícia tentariam desviar o foco das investigações. O álibi parecia perfeito, uma vez que o PM que seria morto estava prestes a ter a prisão decretada pela juíza. O plano não teve êxito.
Júri Popular
Após audiência de instrução e julgamento dos 11 PMs acusados da morte da juíza, o juiz Peterson Barroso Simão, da 3ª Vara Criminal de Niterói, decidiu levar todos a júri popular. A decisão já havia sido anunciada em janeiro, mas a defesa entrou com recurso, que foi negado.
Na decisão, o juiz diz que “a impronúncia não se mostrou adequada à espécie, havendo indícios suficientes e não insuficientes. A absolvição sumária também não se revelou juridicamente correta nesta primeira fase, podendo em Plenário, as partes retornarem a esta tese. Da mesma forma, eventual desclassificação, somente seria possível, examinando exaustivamente o mérito, o que só pode ocorrer em Plenário."
O juiz negou ainda a transferência dos presos para outras unidades prisionais: "as justificativas apresentadas pelas defesas não foram devidamente comprovadas. Conforme lembrado pelo Ministério Público 'situações relacionadas às supostas enfermidades, devem ser examinadas pela Direção da Unidade Prisional'”.
Os 11 acusados respondem por homicídio triplamente qualificado — motivo torpe, mediante emboscada e com o objetivo de assegurar a impunidade do arsenal de crimes — e por formação de quadrilha armada, com exceção do cabo Anderson Lents, que diferentemente não era do Batalhão de São Gonçalo (7º BPM), mas do Batalhão de Niterói (12º). Segundo as investigações, ele não pertencia à quadrilha, somente teria conduzido, um mês antes do crime, os policiais Daniel dos Santos Benitez, Sérgio Costa Júnior e Jeferson Araújo à casa de Patrícia com objetivo de identificar e apontar o local.
Os dois principais acusados, o tenente-coronel Claudio Luiz Silva de Oliveira, ex-comandante do 7º BPM, e o tenente Benitez, à época chefe do GAT (Grupamento de Ações Táticas) da unidade, foram transferidos para a Penitenciária Federal de Campo Grande (MS). De acordo com o Depen (Departamento Penitenciário Nacional), o presídio foi escolhido porque possui uma ala para policiais.
O presídio é o mesmo onde está o traficante Antônio Bonfim Lopes, o Nem da Rocinha. A penitenciária também já abrigou o traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar.

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