Em Búzios, Joãzinho Carrilho volta atrás, reconhece erro, e Câmara de Vereadores deve voltar a funcionar normalmente


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Foto: Os vereadores Messias Carvalho, Leandro Pereira, Joice Costa, Felipe Lopes e Lorram Silveira apontaram irregularidades na condução dos trabalhos da Câmara e alegam que forma como o jovem vereador João de Mello Carrilho preside a Casa é equivocada e revela

Após doze sessões nas quais ocorreu forte embate entre o presidente da Câmara. Vereador  João de Melo Carrilho  e os vereadores Messias Carvalho, Joice Costa, Lorram, Silveira, Leandro Pereira e Felipe Lopes, a casa do Povo voltou na última sessão da semana, quinta-feira (12), a trabalhar normalmente, embora ainda sobre forte tensão.
De acordo com os cinco vereadores, a forma pela qual o vereador e presidente da Casa, João de Melo Carrilho, veio conduzindo a questão de votação das contas de 2004 do atual prefeito Mirinho Braga, colocou em xeque sua capacidade de estar à frente de Legislativo Buziano.
Segundo o vereador Lorram Silveira, João e os vereadores Evandro Oliveira, a quem acusa ter vendido uma área pública no passado para exploração de comercio, Genilson Drumond e Valmir Nobre teriam motivações meramente eleitoreiras para insistirem na votação pela Câmara de uma matéria que está sendo analisada pela Justiça. – Todos os quatro tem declaradas intenções de concorrer de alguma forma a vaga de prefeito (ou vice) no próximo pleito, por isso estão batendo 
nesta tecla de forma tão desleal – disse. 

Para o ex-presidente da Câmara, vereador Messias Carvalho a questão vai mais além.    – Houve flagrante descumprimento do Regimento Interno da Câmara, com o travamento da pauta e a repetição das matérias nas sessões subsequentes. Além disso Carrilho simplesmente desconsiderou a convocação de uma sessão extraordinária feita pelo Prefeito, chamando para si tal convocação, o que é absurdo, e incluindo outras matérias na pauta. Tudo com o propósito de prejudicar o andamento dos trabalhos Legislativos, atingir o prefeito e desgastar a imagem da maioria dos vereadores junto a opinião publica – alegou Carvalho.
Não estranhamente as últimas sessões do Poder Legislativo têm sido acompanhadas por uma publicação de São Gonçalo , cujo objetivo é dar suporte as intenções dos quatro vereadores que estão travando o andamento normal dos trabalhos da Câmara. – É evidente que esta publicação, que caiu de paraquedas, melhor dizendo, sem paraquedas algum na Cidade, está a serviço de interesses meramente políticos; a propagação de mentiras por meio de parte da mídia é um escândalo. Mesmo na questão de votação de verbas para a APAE, algumas publicações induziram a população a erro, fazendo-a crer que a matéria não era votada por causa de nossa recusa em aderir a uma aventura que não obedece ritos do Legislativo nem da Justiça – contou o vereador Leandro Pereira.
Também bastante contrariada com o clima de mentiras e perseguição que tomou conta da Câmara a cerca de dois meses e meio, a vereadora Joice Costa teve seu direito de usar a Tribuna  cerceado no inicio do mês. 
- Eu estava pronta para me inscrever para o uso da Tribuna, quando fui informada pelo vereador Genilson  Drumont que as inscrições estavam fechadas; isso sem que ele desse ciência ao demais membros do colegiado  que iria encerrar as inscrições. Aproveitei um ‘aparte’ na fala de um colega e questionei o presidente a respeito de determinados artigos do Regimento Interno que ele estava descumprindo. No dia seguinte da tal sessão, saiu uma foto minha num jornalzinho de São Gonçalo com uma legenda maldosa a meu respeito. Fui impedida de falar por um de meus pares e essa imprensa vem aqui tratar a questão de maneira jocosa – lembrou a vereadora dizendo ainda que duas matérias importantes foram prejudicadas por conta da atitude do presidente: o repasse para a APAE e a matéria relativa ao reajuste dos Servidores Públicos. 
  – O que mais me impressiona é que o Departamento Legislativo da Câmara não atentou para a forma incorreta como presidente Carrilho estava conduzindo os trabalhos na Casa; um absurdo não terem advertido a Mesa a respeito das das incorreções em que estavam incorrendo.


Vereadores apontam erro de
É com estes termos que o vereador Felipe Lopes definiu na terça-feira (10) o papel do vereador João Carrilho à frente da presidência da Câmara Legislativa. Lopes declarou que faz algumas sessões que vem chamando atenção para a forma arbitrária pela qual o presidente vem conduzindo os trabalhos na Casa Legislativa. O vereador desabafou depois de uma sessão conturbada na última terça feira (10), na qual, mais uma vez, a sessão terminou sem que os trabalhos tivessem sido concluídos. Leia a seguir entrevista com o vereador Felipe Lopes. 



Por que o senhor tem afirmado durante as sessões que o presidente não conhece o Regimento Interno da Câmara?
Digo que o presidente não conhece o Regimento pelos fatos que ocorreram nas últimas dez sessões da Câmara. Quando o presidente trancou a pauta impedindo que os vereadores trabalhassem, sem nenhuma base regimental para tal, e quando o perguntei, na sessão da quinta-feira (5/4), onde ele se baseava para agir desta forma, o mesmo citou o artigo 70 do Regimento, que eu mesmo li na tribuna e derrubei o argumento dele explicando que o artigo não dava a ele o poder de trancar a pauta e sim de repetir as matérias que não foram votadas por falta de quorum na a sessão seguinte. Ele reconheceu o erro e novas matérias entraram na pauta.
Na sessão seguinte fiz outros questionamentos e disse ao presidente que ele deveria cumprir o Regimento e seguir o que diz nele, organizando a sessão corretamente, pois as sessões são conduzidas de modo diferente daquilo que prega o Regimento. 
Neste momento o presidente Carrilho  demonstrou surpresa ao escutar minhas afirmações, chamou o procurador e conversou com ele durante os 15 minutos em que o questionei da Tribuna.
Por fim ele não acatou o meu pedido para cumprir o Regimento. Li novamente os artigos 69 e 74 que deixam explícitos como uma sessão deve acontecer e ele disse que estava pedindo, naquele momento, um parecer da procuradoria sobre os artigos do Regimento Interno da Casa.
Ora se o presidente precisa de um parecer para entender o que já é explicito no Regimento, é sinal que o seu despreparo é grande na condução dos trabalhos da Casa Legislativa. É lamentável.



O que lhe faz crer que o presidente não respeita o colegiado, é influenciável e denigre a imagem do Poder Legislativo?
Ele não acatou o pedido com base regimental da maioria! Ele não respeita a maioria, não respeita o que está escrito no Regimento e em breve não terá mais moral para chamar atenção de ninguém, sendo ele o primeiro a descumprir a lei.
O que acontece na Câmara hoje está muito próximo àquela relação de amor que virou ódio mortal. Todos sabemos dos problemas pessoais do presidente com o prefeito, e cabe dizer que ninguém, nem os vereadores e nem a população tem culpa se o presidente e seu pai brigaram com o prefeito. Agora prejudicar o andamento do trabalho legislativo por causa de rivalidades pessoais é inaceitável. Projetos que a população esperava foram rejeitados, e outros que estavam na pauta, estavam trancados por que o presidente quer se vingar do prefeito? É a coisa mais arbitrária, egoísta e desrespeitosa que vi durante os três anos em que estou no Legislativo.
O papel do presidente é de resguardar a imagem do Poder Legislativo e não de ficar depreciando a imagem dos outros vereadores como João vem tentando fazer indo a jornais de ocasião, insinuando que os demais vereadores são burros, que estariam recebendo sem cumprir suas funções. Com estas afirmações levianas ele desrespeita a própria instituição que tem por obrigação preservar. É vergonhoso o que ele vem fazendo. 
Na sessão passada (10/04) ele disse: ‘quando um burro fala, o outro abaixa a orelha’, além de se chamar de burro ainda quis chamar os outros também, ao que eu o repreendi na hora dizendo que ele estava abusando do poder, ao passo que ele se retratou. João tem dado provas de que não tem maturidade nem estrutura emocional para ocupar o cargo de presidente de um Poder como o Legislativo. Neste caso a juventude pesou contra ele, pois se mostra inexperiente e incapaz de separar interesses pessoais com interesses públicos. Uma pena. 



Qual a sua avaliação no que diz respeito ao prejuízo que a Cidade estaria tendo com toda esta manobra política do presidente da Casa?
A população é a que mais se prejudica. A população é vítima de uma briga de interesses pessoais onde o  presidente, que tem seu pai como candidato a prefeito, peita a maioria da Câmara trancando pautas, desrespeitando os colegas, denegrindo a imagem do Legislativo, ignorando o Regimento Interno e impedindo que a Câmara trabalhe para a Cidade.
Eu tenho muitas propostas e projetos que quero por em votação na Câmara e o presidente impede que eu e os demais vereadores trabalhemos quando tranca a pauta e não segue o Regimento querendo impor sua vontade e esquecendo de trabalhar para o povo. É vergonhoso o grau de comprometimento pessoal que o presidente tem para defender seus interesses individuais.
Do JPH

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