Deputado quer que CPI questione Lula sobre cerco ao STF

Democrata Onyx Lorenzoni encaminhou à comissão uma lista de perguntas para o ex-presidente, em que pede explicações sobre conversa com Mendes

Laryssa BorgesComissão Parlamentar de Inquérito (CPI) mista se reúne para ouvir o depoimento de Carlinhos Cachoeira Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) mista se reúne para ouvir o depoimento de Carlinhos Cachoeira (Lia de Paula/Agência Senado)

O deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS) encaminhou à CPI do Cachoeira uma lista de perguntas a serem enviadas ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para que ele explique as investidas junto a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) para atrasar o julgamento dos 38 réus do esquema do mensalão, o maior escândalo político do governo petista.

Reportagem da edição de VEJA desta semana revela que o ex-presidente tem coagido ministros da mais alta Corte do país para postergar o julgamento do mensalão para depois das eleições municipais de outubro. Em relato a VEJA, o ministro Gilmar Mendes contou que Lula classificou como “inconveniente” que o STF julgue a ação penal envolvendo mensaleiros antes do pleito que irá definir prefeitos e vereadores em todo o país. Em troca do adiamento do julgamento, Lula ofereceu a Gilmar Mendes blindagem na CPI do Cachoeira.
O requerimento de Lorenzoni à CPI questiona o ex-presidente, por exemplo, sobre a razão pela qual Lula blindaria Mendes de possíveis investigações da comissão de inquérito e como o ex-chefe do Executivo poderia impedir a atuação dos parlamentares. “Para que não paire dúvidas sobre a CPI”, o democrata ainda quer explicações sobre quem informou Lula de que o ministro teria viajado a Berlim e lá encontrado Demóstenes Torrer.
Após a revelação de VEJA sobre as investidas de Lula contra a Suprema Corte, partidos de oposição no Congresso enviaram representação ao procurador-geral da República, Roberto Gurgel, por suspeitas de que o petista tenha incorrido nos crimes de coação, tráfico de influência e tentativa de obtenção de vantagem indevida. Pelo fato de Lula não ter mais direito ao foro privilegiado, Gurgel enviou o caso à primeira instância.
da Veja

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