Em Búzios, supermercado é notificado por despejar esgoto em terreno baldio em Manguinhos


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Por Bruno Almeida
O supermercado Só Ofertas, através de seu gerente Eduardo Quintanilha, diz ter sido notificado pela Vigilância Sanitária do município, na quinta-feira (14), por estar despejando esgoto a céu aberto, na rua B do Desmembramento Yucas (Manguinhos), em um terreno baldio que fica nos fundos do estabelecimento. O gerente contesta a notificação, alegando que o que é jogado ali são as águas utilizadas na faxina do comércio. Mas, o cheiro de esgoto que sai do cano de 150 mm de diâmetro instalado por funcionários e um ex-gerente do supermercado em um domingo de abril, próximo às 22h00, é insuportável. A água suja ajuda a alagar o terreno, que por si só já é um charco. Com as chuvas da semana passada, a enorme quantidade de lixo jogada por funcionários do supermercado e moradores, e a rua em desnível e sem escoamento, a situação se agravou. Apesar do setor de análise de água da Vigilância Sanitária ter sido chamado por denunciantes para resolver o impasse, este não compareceu. Mas a simples detecção do cano por parte de fiscais, foi suficiente para obrigar o supermercado a desinstalá-lo.


A equipe de Controle da Dengue também foi acionada por vizinhos, e chegou sem demora. Os técnicos recolheram amostras de larvas para exame em laboratório, mas no próprio local ficaram constatadas as suspeitas de se tratarem do primeiro estágio do mosquito transmissor da dengue, o Aedes Aegypti, devido ao formado das larvas. Os resultados tem a previsão de estarem prontos na próxima semana. Segundo os vigilantes, mesmo se o exame der negativo, ali se trata sim de um criadouro de mosquitos da dengue, que preferem água limpa, mas na falta dessa, se utilizam da suja mesmo, para desovar. Eles aconselham a limpeza urgente do terreno e o tratamento biológico, quando se jogam peixes predadores das larvas. 
Segundo testemunhas, o dito terreno pertence a ‘personas non gratas’ dos proprietários do supermercado, pois estes uma vez quiseram adquiri-lo, sem êxito. Já pessoas ligadas ao supermercado, dizem que ‘isso não tem nada a ver’, e que é uma prática antiga dos moradores jogar lixo ali. O caso é que o charco passou a ficar pior, desde que o supermercado aterrou somente uma parte da rua, permitindo assim que a água não empoçasse na sua porta, mas em compensação que a coisa piorasse para ‘o outro lado’. Tambores de lixo do supermercado ficam por ali destampados, atraindo varejeiras, ratos e até urubus.

Mobilização de moradores

Uma das defesas do gerente é mostrar uma nota fiscal da Poul Desentupimento, datada do mesmo dia da visita da Vigilância Sanitária e do Jornal Primeira Hora. Quintanilha diz que a limpeza é feita pelo menos uma vez por semana, e que não sabe qual é o destino final do esgoto levado pelo contratante, a quem reconhece como sendo o único a realizar tal serviço. Mas, vizinhos afirmam que outro caminhão limpa-fossas é terceirizado pelo supermercado: o Igor Limpa-Fossas, e que inclusive ele havia estado no supermercado naquele mesmo dia pela manhã sugando a água empoçada no local do despejo do cano. Vizinhos afirmam ainda que os ‘Limpa-Fossas’ estavam praticamente todos os dias trabalhando nos fundos do supermercado, e que somente após a instalação do cano é que vem sendo diminuída a presença deles ali. 
A mobilização dos moradores e da imprensa foi fundamental para que a coisa começasse a mudar. No mesmo dia apareceu o caminhão de lixo, e também caçambas foram chamadas para fazerem a limpeza do terreno. Quintanilha afirma que na próxima segunda-feira (18), “pedreiros retirarão o cano e as águas pluviais passarão a ser lançadas juntamente com o esgoto”.  

Buracos na rua e trânsito de caminhões

Enquanto esperam, os vizinhos não cruzam os braços, pois funcionários do supermercado continuam sendo vistos jogando lixo no terreno, e agora a Secretaria de Serviços Públicos e de Meio Ambiente também estão sendo chamadas. Outra irregularidade denunciada pelos moradores é o não cumprimento de um acordo por parte da direção do supermercado, no qual ela se prontificava em colocar saibro ou cascalhos na rua para melhorar as condições de trânsito da mesma. Sendo aquela uma Área Residencial reconhecida pelo Plano Diretor do Município, foram os caminhões de carga e descarga do supermercado que contribuíram e muito para que o atual estado da rua fosse esse: completamente esburacado. As idas e vindas dos caminhões eram diárias e ao longo de todo o dia. Na época do acordo, funcionários até ficavam na rua avisando aos caminhões sobre o desvio da rota, e a situação parecia que iria melhorar. Foi até sugerido uma cancela no começo da rua, porém a ideia não foi adiante. Com o passar do tempo, o acordo foi sendo esquecido, ao ponto de moradores terem que estacionar seus carros atravessados, em protesto, para que os caminhões não pudessem passar. Hoje, após dois anos da promessa feita pelo supermercado, caminhões de entrega de carne e legumes ainda circulam por ali, o que é confirmado pelo gerente Quintanilha, que diz que o problema está perto de ser resolvido, pois o supermercado está terminando de ampliar o espaço próximo ao seu estacionamento, na Avenida José Bento Ribeiro Dantas, para destiná-lo para cargas e descargas.
Outro problema levantado pelos moradores do Yucas, é sobre o calçamento que nunca veio. Melhor dizendo, só veio para a rua de trás. Ali talvez seja a rua com menos moradores, mas é onde está situado o Sindicato dos Empregados no Comércio Hoteleiro e Similares de Armação dos Búzios. 

do JPH

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