Jurídico do Fla admite que exame de Ronaldinho não existe

Advogada do jogador diz que clube passou vergonha
POR VITOR MACHA
A diretoria do Flamengo exagerou na dose ao derramar na mídia a informação sobre um suposto exame que apontaria alto teor alcoólico no sangue de Ronaldinho. A notícia deixou o médico do clube, José Luiz Runco, de cabeça inchada. Ele negou a existência de tal prova e cobrou sobriedade do departamento jurídico rubro-negro. Já o vice da pasta, Rafael de Piro, sem ressaca moral, desdenhou do fato, enquanto, a advogada do jogador, Gislaine Nunes, afirma que o clube passou vergonha.
Caso Ronaldinho continua em evidência no Fla | Foto: Divulgação
Caso Ronaldinho continua em evidência no Fla | Foto: Divulgação
A confusão não desceu redonda em Runco. Para ele, De Piro não poderia ter falado sobre o suposto exame sem ter certeza da sua existência. O médico não queria ver a polêmica respingar no seu departamento.
“Quem deu essa informação para ele (De Piro)? O que ele não podia era falar uma coisa sem saber. Tem que ter uma informação sólida para fazer essa colocação. Fizemos só exames de rotina, com autorização dos jogadores. Não só do Ronaldo, mas de todos. Todos tem prontuário, ficha médica, tudo arquivado. Só não posso ver meu departamento sendo colocado como responsável. Aqui a coisa é séria”, disse Runco.
A inexistência do exame não fecha a conta, de acordo com o vice jurídico do Flamengo. Segundo ele, a prova era apenas uma gota dentro do dossiê que o Flamengo pretende apresentar à Justiça.
“Na realidade, muita gente falou desse exame. Por isso pedi para apurar. Hoje (segunda-feira), recebi a informação de que de fato ele não existia. É apenas um elemento a menos no universo de tantos outros que temos para demonstrar o que precisamos em relação à imagem e à conduta do Ronaldinho. Não muda em nada”, disse De Piro, que fez mistério sobre o próximo passo do Flamengo: “Em breve vocês vão ver”.
Gislaine Nunes afirmou que o caso abre brecha para uma ação por danos morais, mas explica que a iniciativa teria que partir da família Assis. Para ela, o maior castigo do clube foi o vexame.
“Quer pior vergonha do que dizerem que têm um exame e depois dizer que não tem? É duro”, declarou.
Ronaldinho rescindiu com o Flamengo e cobra R$ 40 milhões do clube, na Justiça, por atraso no pagamento.

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