Operação na Cracolândia completa cinco meses e Ministério Público diz ter certeza de “desastre”

Para promotoria, operação resultou em perda para os serviços de saúde e assistência
cracolândia
Ministério Público deve concluir inquérito que apura ação da Polícia Militar na Cracolândia nas próximas semanas
Perto de concluir o inquérito que investiga a ação da Polícia Militar na região da Cracolândia (no centro de São Paulo), o promotor de Habitação e Urbanismo Maurício Antônio Ribeiro Lopes afirma que, se antes imaginava que a operação foi “desastrada e desastrosa”, agora tem certeza disso. No domingo (3), a Operação Centro legal, da PM, completou cinco meses. O objetivo é tirar o crack do centro de São Paulo.


Lopes afirmou ao R7 que a investigação do Ministério Público sobre o caso deve ser concluída nas próximas semanas. Ele diz que a operação não ofereceu aos dependentes químicos expulsos da Cracolândia serviços de saúde e de assistência social de qualidade. 



— [A ação] Foi desastrada e desastrosa. No primeiro dia, tínhamos a impressão de que era desastrada, agora temos convicção. Desastrada porque faltou coordenação entre a PM e os demais órgãos. E ela foi desastrosa porque provocou uma perda de qualidade no atendimento que vinha sendo feito, em termos de saúde e assistência social. 



A avaliação do Ministério Público é embasada ainda na pequena diferença entre o número de presos e o de pessoas levadas para internação. De acordo com o último boletim da operação, divulgado na quarta-feira (30), enquanto 553 pessoas foram detidas (439 presos em flagrante e 114 condenados capturados), 660 dependentes químicos foram levados para internação. 

Anteriormente, o Ministério Público já havia afirmado que, além da força policial usada na ação, investigaria o perfil dos presos. A instituição queria saber se a polícia estava prendendo traficantes ou usuários que portavam pequenas quantidades de droga. O inquérito para apurar todas essas questões foi instaurado no dia 10 de janeiro deste ano. 



Outro ponto que chamou atenção da promotoria foi a criação do Complexo Prates, inaugurado no dia 27 de março. O local tem espaço de convivência para adultos com capacidade para atender até 1.200 pessoas por dia. Porém, segundo Lopes, em suas visitas ao local ele diz não ter visto grande procura dos usuários.



— Nós estivemos lá diversas vezes e é visível que ele [complexo] tem uma ociosidade. Eu acho que é uma bela fotografia do quão desastrada ela [Operação Centro Legal] foi, porque faltou articulação. 



R7 procurou a Polícia Militar para comentar o assunto, mas a corporação informou que apenas a Secretaria de Justiça de São Paulo fala agora sobre o caso. A reportagem não conseguiu contato com a secretaria até a publicação desta notícia.



Balanço
De acordo com o mais recente boletim da Operação Centro Legal, foram feitas até a última quarta-feira, 72.112 abordagens sociais, de saúde e por guardas municipais. Além disso, 5.130 pessoas foram encaminhadas para serviços de saúde e 660 foram encaminhadas para internações para tratamento de dependentes químicos.



Ainda de acordo com o boletim, foram feitas 439 prisões em flagrante e 114 condenados foram recapturados nos cinco meses da operação. No total, a polícia apreendeu  66 kg de droga.



Relembre o caso: 





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