Dia marcado por greve e manifestação dos servidores por melhorias salariais

Nathália Marsal

Os grevistas pedem reajuste linear de salários entre os professores; regime trabalhista de Dedicação Exclusiva; mesma referência salarial para professores contratados e os graduados; aprovação do Plano de Carreira e Cargos para os profissionais técnicos-administrativos. Os estudantes pedem aumento do número e do valor das bolsas de estudos. Reivindicam bandejões em todos os campi e creche.

Os servidores federais da saúde cobraram do governo Dilma Rousseff, nesta quinta-feira (19), a reabertura das negociações com o comando nacional de greve, suspensas desde 19 de junho. Na véspera (18 de junho) os servidores da saúde em todo o país decretaram greve em função da recusa do governo em atender as reivindicações da pauta entregue em janeiro.
A greve dos hospitais federais já abrange dez estados, entre eles, o Rio de Janeiro, onde estão paralisados nove grandes unidades. Os grevistas protestam contra o sucateamento da Saúde e a privatização dos hospitais. Reivindicam também recomposição salarial de 22% para acompanhar a inflação e jornada de 30h para a enfermagem.
No Instituto Nacional de Cardiologia, em Laranjeiras, na Zona Sul do Rio, cerca de 50 dos grevistas fizeram manifestação em frente à unidade, na Rua das Laranjeiras. Com narizes de palhaço, faixas e cartazes, eles provocaram um grande congestionamento nos dois sentidos da via. Policiais militares controlaram o trânsito na área.
Na tentativa de liberar o trânsito, os policiais acabaram se desentendendo com os grevistas. Uma mulher chegou a ser arrastada por um PM, segundo testemunhas. A diretora do Sindsprev, Lúcia Pádua, acusa os militares de jogarem spray de pimenta. Ela ficou com os olhos vermelhos, nariz e garganta irritados.
"Somos trabalhadores e não merecemos ser tratados assim, como bandidos".

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Hospital da Lagoa
Também com os servidores em greve, no Hospital da Lagoa o clima ficou tenso no início do dia, conforme denuncias do Sindicato dos Servidores da Saúde. Seguranças teriam impedido a entrada de integrantes do comando de greve. A paralisação começou no dia 2 de julho.
Integrante do comando de greve, o auxiliar de enfermagem Tiago Meirelles diz que os seguranças de uma empresa terceirizada o impediram de entrar no local de trabalho.
Segundo ele, na terça-feira (17), o marido da diretora da unidade agrediu verbalmente os servidores, chamando-os de "vagabundos". "É uma posição ditatorial da direção em relação à greve. Eles já tinham dito que as coisas poderiam acontecer dentro da legalidade. Hoje, isso não foi seguido", afirmou Tiago.
Cem servidores estão de braços cruzados no Hospital da Lagoa. No entanto, mantêm atendimento normal para emergências. As consultas às crianças, em qualquer especialidade, não foram alteradas. Permanecem normais a distribuição de remédios e setores que atendem pacientes com diabetes, HIV, e Hepatite C. Insulina continua a ser aplicada assim como as sessões de quimioterapia e os exames glicêmicos e anticoagulantes.
Meirelles denuncia ainda que os profissionais de saúde muitas vezes precisam lidar com a falta de material e de recursos humanos.
"Sabemos o que é certo e temos que ser conviventes com o errado, quando às vezes falta uma gase para fazer curativo no paciente".
Os grevistas estão descrentes na negociação com o Ministério do Planejamento, que receberá uma comissão apenas no próximo dia 25 de julho.
"Estamos encontrando dificuldade muito grande com qualquer tipo de negociação. O salário está congelado há 10 anos, com uma mesma justificativa: a crise econômica", disse a presidente da associação dos Servidores do Instituto de Cardiologia, a auxiliar de enfermagem Iraci Rosa.
O governo federal tem até o dia 30 de agosto para fechar qualquer tipo de negociação salarial para os anos de 2013 e 2014.
Manifestação na Uerj
Servidores da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) também se manifestaram em um ato público na tarde desta quinta-feira pedindo melhorias trabalhistas, na universidade e no Hospital Universitário Pedro Ernesto (Hupe), atingido por um incêndio em seu almoxarifado há duas semanas. O hospital ainda aguarda o laudo pericial para iniciar as reformas.
"É uma unidade importante para a universidade porque aqui os alunos aprendem. O incêndio só ajudou a revelar os problemas estruturais que a unidade tem", afirma Luiz Claudio, professor da área de química da Uerj que alerta ainda para o prejuízo no aprendizado no Hupe.
Os residentes que deveriam aprender, devido a grande demanda, não estão recebendo as explicações dos professores. O hospital está funcionando para produzir, para atender a população, longe das funções de hospital escola, pelo que descreveu Luiz Claudio.
Os grevistas pedem reajuste linear de salários entre os professores; regime trabalhista de Dedicação Exclusiva; mesma referência salarial para professores contratados e os graduados; aprovação do Plano de Carreira e Cargos para os profissionais da área técnica-administrativa. Os estudantes pedem aumento do número e do valor das bolsas de estudos. Reivindicam bandejões em todos os campi e creche.

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