Fantasma Romântico


Diário de Alexandria


Este vivo amor que me faz mentir,
sorrir quando não quero,
sentir quando não sinto.

Faz cair do céu todas as virtudes
que ninguém recolhe do chão, rachado
de espinhos de antigas flores
recolhidas ( faz tempo) de nossas dores.

Ah! Sórdidas auroras,
que um dia foram puras
e hoje atormentam nossas lembranças.

E pensar que um dia foram auroras
deflagradas em fragrantes flores,
e hoje rastejam no duro chão da memória.

Poesia, um dia te quis inteira
como voz infinita e derradeira.
De amores ( coisa mais inútil)
escrita com tintas do passado
galhofa e melancolia. 

Uma tarde, uma tarde de minha cidade,
bela como Ela,
bela e passageira
como são todas as tardes. 

Carlos Sepúlveda

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