Impacto do reajuste do diesel na bomba ficará em torno de 4%

Ao contrário do aumento concedido em 22 de junho, que foi compensado por um corte tributário, desta vez haverá repasse para o preço final

O Estado de S. Paulo
A Petrobrás anunciou na quinta-feira o reajuste de 6 % no preço de venda do diesel nas refinarias. O aumento - o segundo no prazo de apenas três semanas - vigorará a partir de segunda-feira, dia 16. Mas, ao contrário do aumento concedido em 22 de junho, que foi compensado por um corte tributário, desta vez haverá repasse para o preço final, pago pelo consumidor no posto.


De acordo com cálculo feito pela própria Petrobrás, o impacto na bomba ficará em torno de 4%. Não houve, no comunicado, qualquer menção a um aumento da gasolina. Há algumas semanas, o governo estuda o aumento da parcela do etanol na gasolina de 20% para 25%, como antecipou o Estado em 9 de maio.
A companhia informou que o aumento foi definido "em consideração" à sua política de preços, "que busca alinhar o preço dos derivados aos valores praticados no mercado internacional em uma perspectiva de médio e longo prazos".
O consultor Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura, calcula que, com o reajuste de hoje, a defasagem do diesel em relação aos preços internacionais passará para 18%. O porcentual é, aproximadamente, o mesmo alcançado há 18 dias, quando o governo reduziu a Cide para elevar o preço do combustível na refinaria.
"A questão é que, desde então, o câmbio mudou e o preço do barril de petróleo no mercado internacional também. Isso fez com que a defasagem novamente se elevasse e hoje está no patamar de 23%", disse.
Segundo Pires, os dois reajustes do diesel juntos não correspondem ainda aos 15% que o mercado esperava para recompor as margens de caixa da Petrobrás, mas são um sinal positivo de mudança de atuação do governo. "Parece que o governo finalmente se sensibilizou para a importância do caixa da Petrobrás", afirmou ele, lembrando que o diesel tem peso maior no faturamento da companhia do que a gasolina.
Pires argumenta que a gasolina tem impacto direto na cesta de produtos que compõe o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador utilizado no acompanhamento da inflação e parâmetro para o sistema de metas inflacionárias usado pela equipe econômica. O diesel integra a lista. Seu efeito na inflação se dá indiretamente, na cadeia que usa o produto. Como o transporte urbano e de carga utilizam basicamente o diesel, há repasse do aumento ao consumidor final. Por isso, o reajuste do diesel impacta, por exemplo, o preço dos alimentos, um dos itens que mais pesam na inflação.
O impacto não é imediato, como o da gasolina. A evolução da inflação está dentro do que espera o governo, convergindo para o centro da meta, fixado em 4,5% para este ano. Pelas última projeções do mercado financeiro, compiladas pelo Banco Central, o IPCA deve chegar ao fim do ano em 4,85%, resultado bem distante dos 6,5% de 2011.
O aumento anunciado hoje foi recebido com surpresa pelo mercado, que já descartava a possibilidade de novo reajuste em tão pouco tempo. O presidente do Sindicato das Distribuidoras de Combustíveis (Sindicom), Alísio Vaz, comentou que o intervalo de quatro dias entre o anúncio da medida e sua entrada em vigor pode criar "um certo estresse" no mercado distribuidor por causa da administração dos estoques.
Os postos de revenda podem adquirir a quantidade de combustível que necessitarem, mas as distribuidoras, lembrou, têm limite de cotas. E, com o anúncio, não será surpresa uma corrida de consumidores aos postos por três dias.
Divulgado na noite desta quinta-feira, o comunicado da petroleira informa que o preço do diesel sobre o qual incide o reajuste anunciado não inclui os tributos federais PIS/Cofins (Programa de Integração Social/Contribuição para Financiamento da Seguridade Social) e Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) e o estadual Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).
A estratégia de alinhamento preços ao cenário internacional já foi defendida em público diversas vezes pela presidente Graça Foster, em pronunciamentos sobre o baixo custo dos combustíveis vendidos no Brasil comparado com os valores cobrados nos Estados Unidos e em países desenvolvidos da Europa.
No último dia 25 entrara em vigor o reajuste nos preços da gasolina e do diesel. Só que, com a redução da Cide a zero estabelecida pelo governo federal no mesmo dia do anúncio do aumento, os novos valores não chegaram às bombas dos postos de combustíveis. Na ocasião, o diesel aumentou 3,94% e a gasolina, que não foi reajustada hoje, 7,83%.

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