Líbia tem eleição histórica, apesar de tensões no leste

Mais de 1 milhão de pessoas deram seu voto para eleger assembleia de transição
mulher libiaREUTERS/Esam Al-Fetori
Mulher líbia deposita seu voto na urna, em Benghazi, neste sábado (7). Milhares de líbios comemoram a primeira eleição nacional livre após a queda de Gaddafi

Oito meses depois do final do conflito armado que provocou a queda e a morte de Kadhafi, cerca de 2,7 milhões de eleitores foram convocados para eleger os cerca de 200 membros do chamado Congresso Nacional Geral, uma assembleia de transição na qual os islamitas esperam ter o mesmo bom resultado que seus vizinhos de Tunísia e Egito.Os líbios compareceram neste sábado (7) às urnas para sua primeira eleição nacional após várias décadas de ditadura sob o comando de Muammar Gaddafi, morto em 2011, em uma sessão histórica marcada por um assassinato a tiros e tentativas de sabotagem por parte de militantes do leste do país.


Essa sessão histórica, no entanto, foi marcada pela morte de uma pessoa — e outra ficou ferida —, quando um homem que ainda não foi identificado abriu fogo nas proximidades de um colégio eleitoral no leste do país, conforme informou um policial à AFP.
O ataque aconteceu na cidade de Ajdabiya, palco de numerosos incidentes durante os comícios.
Segundo o chefe da Comissão Eleitoral, Nuri al-Abbar, 1,2 milhão de pessoas haviam votado até às 16h local (11h, no horário de Brasília), ou seja, 40% do padrão eleitoral. Às 20h, os centros de votação começaram a fechar em Trípoli e em Benghazi (leste), foco da revolução.
Ao final da tarde, 98% dos colégios eleitorais ainda funcionavam normalmente. Pouco antes, foi anunciado que uma centena deles, sobre um total de 1.554, não puderam abrir devido a atos de sabotagem, principalmente no leste do país.
O vice-ministro do Interior, Omar al Jadhraui, afirmou que as autoridades controlavam a situação na região.
Os resultados preliminares devem ser anunciados "a partir de segunda (9) ou terça-feira (10)", disse a comissão.
Alguns eleitores levavam bandeiras negras, vermelhas e verdes da revolução de 2011, enquanto que das mesquitas de Trípoli eram emitidas mensagens sonoras dizendo frases como "Alá Akbar" (Deus é o maior), e nas ruas se ouviam as buzinas dos carros.
A alegria também era visível em Benghazi, apesar dos pedidos dos federalistas para que as pessoas boicotassem as eleições.
"Tenho a impressão de que até agora minha vida vinha sendo desperdiçada, mas meus filhos terão uma vida melhor. Tudo o que eles precisam é de um impulso e creio que os novos dirigentes darão este impulso", disse Hueida Abdul Cheikh, uma mulher de 47 anos que foi uma das primeiras a votar.
do R7

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