No Rio, candidatos propõem reajuste de professores e horário integral nas escolas para melhorar educação


Nos últimos três anos, foram investidos mais de R$ 9 bilhões nas escolas municipais

Carlyle Jr. e Bruno Rousso, do R7, no Rio
Rede municipal tem quase 700 mil alunos (Foto: Alessandro Costa / 13.04.2012 / Agência O Dia)
Com quase 700 mil alunos matriculados, as escolas do Rio parecem estar no caminho para melhorar a qualidade do ensino. Na última avaliação do Ideb (Índice de Desenvolvimento de Educação Básica), os colégios municipais alcançaram a nota de 5.1, superando a média nacional, que é de 4.6.
A Prefeitura do Rio investiu mais de R$ 9 bilhões em educação nos últimos três anos. Apesar disso, as escolas, segundo o Sepe (Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação), ainda sofrem com a falta de professores do 6º ao 9º ano.
A rede municipal de ensino conta com 39.494 professores distribuídos em 1.072 colégios. No último relatório de prestação de contas da prefeitura, o TCM (Tribunal de Contas do Município) constatou que “em 99% das escolas visitadas, havia professores com dupla regência”. O tribunal recomendou “esforços para solucionar a questão relativa à carência de professores”. Por outro lado, o TCM reconheceu que a taxa de disciplinas sem aulas caiu de 54,87%, em 2010, para menos de 39% no ano passado.


O Sepe alerta para a necessidade de realização de concursos públicos para a educação. Segundo o sindicato, as escolas funcionam com número reduzido de profissionais administrativos, como inspetores, merendeiras e secretários. Os professores reivindicam reajuste de 20%.
Em relação à educação infantil, 80 EDIs (Espaços de Desenvolvimento Infantil) foram inaugurados desde 2009. Ao lado das creches municipais, esses espaços atendem a mais de 60 mil crianças. Entretanto, o Sepe defende a criação de mais vagas, sobretudo na zona oeste.
Os pré-candidatos à Prefeitura do Rio apresentaram ao R7 suas propostas para a área da educação.
Antônio Carlos Silva (PCO)
— Propomos colocar as escolas e toda a educação sob o controle da comunidade escolar (educadores, pais e alunos). É preciso ampliar os investimentos na infraestrutura das escolas, com verbas públicas apenas para as escolas públicas; recompor as perdas salariais dos professores e funcionários, com um piso salarial de R$ 4.000 para os professores com jornada de 30 horas semanais (com, pelo menos, um terço de jornada extra, conforme estabelece a Lei 11.738). Não basta apenas ampliar os gastos com a educação, é preciso que ela esteja, de fato, sob o controle de conselhos populares, integrados por representantes dos professores, funcionários, pais e alunos, que decidam sobre gastos, currículo etc.
Aspásia Camargo (PV)
— É preciso disponibilizar educação integral para todos os alunos da rede municipal, complementando o tempo regular com atividades de reforço e estudos dirigidos; visitas a museus e espaços culturais ou esportivos. É preciso também aplicar integralmente os recursos do Ideb e cumprir a Constituição Federal em seu artigo 212, que exige a aplicação de 25% da arrecadação do município em educação. Devemos pensar no fortalecimento e capacitação do professor, na plena ocupação das vagas, em adequação entre dedicação e salário. O professor precisa ser valorizado como mestre, com mais assistência, acesso à cultura, e conforto para cumprir funções pedagógicas.
Cyro Garcia (PSTU)
— Precisamos resolver questões como salários defasados, escolas fechadas, condições de trabalho e ensino. É necessário criar ao menos 20 mil vagas para crianças na educação infantil e aumentar o número de professores nessa área para atender à demanda existente hoje. Vamos acabar com as duplas jornadas, não submetendo professores a um regime de trabalho exaustivo e sem autonomia didático-pedagógica. Defendemos reajuste salarial, que seja cumprido o índice de 25% do orçamento para investimento na educação municipal, concursos públicos para 6.000 professores para educação infantil e funcionários e ainda 10% do PIB para educação.
Eduardo Paes (PMDB)
— Meu primeiro ato como prefeito foi acabar com a aprovação automática. A taxa de analfabetismo funcional caiu de 13,6% para 6,5%. Implantamos os EDIs, com a criação de 30 mil vagas. A proposta é criar outras 30 mil até 2016, com a inauguração de mais 120 EDIs. Foram abertas 152 Escolas do Amanhã, em horário integral. O projeto é levar ensino integral a 240 mil crianças e transformar o Rio na melhor cidade do País no ensino fundamental. Vamos garantir que pelo menos 95% das crianças com sete anos estejam alfabetizadas, além de oferecer aula de inglês para alunos do 1º ao 9º ano. Os profissionais foram muito valorizados. Contratamos cerca de 33 mil profissionais, sendo 19 mil professores. Nas escolas que batem as metas, os funcionários ganham até um 15º salário.
Fernando Siqueira (PPL)
— Vamos criar escolas de tempo integral. Criaremos plano de carreira para os professores, abrindo concurso imediato em que os melhores classificados terão direito de escolha do local de trabalho. Investiremos em treinamento contínuo atrelado a um critério de promoção e transferência. Curso superior, mestrado, doutorado e desempenho serão fatores de promoção. O professor será priorizado, recebendo formação contínua e salários adequados. Ofertaremos escola pública de qualidade com educadores que terão boas condições de trabalho, pondo fim às múltiplas jornadas. É necessário que se amplie o número de escolas, de professores e auxiliares, dobrando o piso salarial dos profissionais e triplicando o dos que tiverem cursos de mestrado e doutorado.
Marcelo Freixo (PSOL)
— Nossas propostas incluem a elaboração de um plano de carreira unificado para professores e funcionários, a aplicação do mínimo constitucional de 25% de verbas municipais e preparar a rede e os profissionais para a implementação do horário integral. Com o plano de carreira, fica mais fácil planejar a execução orçamentária incorporando aumentos reais para todos os servidores, a convocação de concursos públicos e uma política de formação continuada para os profissionais de educação. A escola deve voltar a ser uma referência na vida dos bairros, integrada a outras políticas públicas. Nossa política de educação será elaborada e implementada coletivamente, respeitando a contribuição de toda a comunidade escolar.
Otavio Leite (PSDB)
— Nossa proposta será universalizar as vagas em creches e na pré-escola e instituir a bidocência, ou seja, manter dois professores em sala de aula no primeiro ano do ensino fundamental, o que favorecerá o ensino mais individualizado. Vamos instituir o horário integral, com programas de estudos, pesquisas e cumprimento de exercícios próprios da atividade pedagógica, e inserindo atividades esportivas e culturais para todos os alunos. Vale destacar que é fundamental a valorização dos professores da cidade, a partir da construção de um plano de cargos e salários para a categoria, bem como ampliar e fortalecer a formação continuada dos professores, contemplada em sua carga horária, buscando a valorização do saber docente.
Rodrigo Maia (DEM)
— Vamos valorizar o professor e garantir todas as condições para que ele possa ensinar. É necessário continuar expandindo as creches para chegarmos a 100 mil matrículas. Temos como meta implantar um modelo de educação integral em toda a cidade. Temos ainda um compromisso de melhorar o Ideb para que tenhamos média 6 em 2015. Para isso, vamos implantar o projeto Professores da Família, que oferece apoio às famílias, facilitando a interlocução com a escola e, também, alternativas de aprendizagem nas aulas comunitárias. O melhor caminho para a Educação pública no Rio de Janeiro é o fortalecimento de uma rede de creches e pré-escolas com os servidores públicos, sob o absoluto comando dos nossos professores e educadores. Temos que recuperar o valor, a experiência e os conhecimentos dos professores da rede municipal.

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