Promotoria denuncia pai e madrasta de menino que morreu após ser espancado

Criança chegou a ser socorrida no hospital, mas não resistiu aos ferimentos
Jadson Marques / R7Enterro torturado
Ministério Público denuncia pai e madrasta, suspeitos de espancar o menino que morreu no hospital


O MP-RJ (Ministério Público do Rio de Janeiro) denunciou à Justiça nesta quinta-feira (19) o pai e a madrasta do menino Wesley Fernandes de Araújo. Eles são suspeitos de espancar brutalmente o menino, que morreu após dar entrada no Hospital Federal Cardoso Fontes, em Jacarepaguá, zona oeste do Rio de Janeiro na última terça-feira (17). O corpo de Wesley foi enterrado nesta quinta-feira (19) no Cemitério do Pechincha, também em Jacarepaguá.


Bastante revoltada, Suely Fernandes, mãe de Wesley, disse logo após o caixão do filho baixar à sepultura que o pai da criança havia prometido dar uma vida melhor ao garoto, por isso foi buscá-lo na casa dela, no Espírito Santo. O pai e a madrasta de Weslei foram presos e são investigados por tortura.
— Entrego na mão de Deus. Ele falou que ia dar uma vida melhor para o meu filho, mas foram buscar ele na minha casa e mataram.
A doméstica só falava em tom de desespero e chorando: “meu filho, meu filho morreu”.

A família está chocada com o caso. A irmã do pai da criança, Micaellen de Araújo Souza, disse que não acredita que ele tenha espancado o menino a ponto de levá-lo à morte.

— Pelo que eu conheço meu irmão, ele não fez isso. Ele nunca foi bruto, sempre se mostrou uma pessoa calma.

Ainda segundo Micaellen, a madrasta, também suspeita, sempre deu amor e carinho para Wesley.
— Ela sempre se mostrou uma boa madrasta, sempre deu amor e carinho ao meu sobrinho. Estamos todos chocados com isso tudo. Nunca imaginamos uma coisa desta proporção.
Entenda o caso 

Wesley morava com o pai e a madrasta há seis meses em uma casa em Rio das Pedras. Na última terça-feira, a madrasta ligou para uma vizinha dizendo que a criança estava desacordada, depois de cair da cama. Vizinhos foram até a casa e ajudaram a levar Wesley para o Hospital Cardoso Fontes, no mesmo bairro.

Durante o atendimento, a médica de plantão desconfiou da história apresentada pelos pais porque a criança chegou à unidade com traumatismo craniano, vários dentes quebrados, lesões internas por todo corpo e fratura na perna. O menino chegou a ficar em coma na UTI (Unidade de Tratamento Intensivo), mas não resistiu.

A médica decidiu então chamar a polícia e o casal foi preso em flagrante. De acordo com a Polícia Civil, os dois vão responder por tortura com resultado de morte. A pena pode chegar a 21 anos de prisão.

Segundo a polícia, a madrasta do menino jogou a culpa no marido durante seu depoimento. A suspeita disse que o companheiro é usuário de drogas. Já o homem teria dito que só batia no filho para corrigi-lo.
A polícia já ouviu dez pessoas sobre a morte da criança. Entre os ouvidos estão dois policiais militares e sete vizinhos, que relataram que havia brigas constantes dentro da casa da família.

O pai do menino foi transferido para o presídio de Bangu 3, na zona oeste. Já a madrasta da criança foi levada para o presídio Joaquim Ferreira de Souza, em Gericinó, também na zona oeste.
do R7

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