Xodó dos brasileiros, cachaça se torna Patrimônio Cultural do Estado

Para deputado que propôs a lei, bebida já foi discriminada e perseguida
cachaça
No dicionário, mais de 150 verbetes definem a bebida


Bebida feita a partir do processo de fermentação da cana, a cachaça é, definitivamente, um produto típico brasileiro. Tanto que ganhou vários apelidos carinhosos ao longo de sua história. Só no dicionário Aurélio, é possível encontrar 151 verbetes para chamar a 'branquinha'.
E o xodó com a bebida é tão grande que a 'pinga' acabou de se tornar Patrimônio Cultural do Estado. A lei, de autoria do líder do PDT na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro), deputado Luiz Martins, foi sancionada pelo governador Sérgio Cabral.
Para o parlamentar, a 'bagaceira', bebida genuinamente brasileira, foi discriminada, perseguida e até proibida pelas elites e pela classe média.
Na justificativa que serviu de base para a proposição da lei, o deputado também cita a importância histórica da 'malvada'.
— Esta saga tem início juntamente com a História do Brasil, surgindo como consequência do interesse no açúcar produzido no país. Além dessa relação, a cachaça foi agente de vários acontecimentos, desde momentos tristes às celebrações por conquistas. Muitas vezes, a produção foi estimulada, em outras proibida, mas sempre esteve presente na construção de nosso país, afirmando o seu sabor e a sua autenticidade.
Ainda segundo o parlamentar Luiz Martins, antes de ser um produto econômico, a 'sinhazinha' é uma das mais belas expressões da cultura brasileira. Para ele, a prova da vitalidade e permanência cultural da 'dona-branca' está no patrimônio linguístico que criou e continua a criar.

Embora o Aurélio indique apenas 151 nomes, segundo o deputado, existe um acervo disponível de cerca de mil sinônimos a 'caninha'.
Além disso, a 'perigosa' serve de matéria prima para um drink que se tornou sinônimo de brasilidade no exterior: a caipirinha.
O Estado do Rio guarda estreita relação com o 'assobio de cobra'. A cidade de Paraty, no litoral sul, tem vários alambiques e o passeio por eles faz parte do circuito turístico.
Já Paty do Alferes, na região serrana, foi além. A cidade tem o Museu da Cachaça. Inaugurado em 1991, o local tem no acervo garrafas de todos os cantos do Brasil. Lá, o visitante pode saber como é a produção artesanal da 'januária', conhecer duas adegas e ainda dar uma passadinha num bar de degustação.
O Museu da Cachaça fica na rua Nova Mantiquira, 227, em Paty do Alferes. Os horários de visitação são de terça a sexta-feira, de 9h às 18h; sábados, de 9h às 19h; e domingos e segunda-feira de 9h às 17h.

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