Grevistas furam segurança de Dilma e fazem protesto em MG


Grupo de servidores públicos federais cobrou reabertura de negociações com Planalto; Dilma ignorou ato, mas durante discurso lembrou dos efeitos da crise mundial na economia brasileira

Wilson Tosta, de O Estado de S.Paulo
Servidores públicos em greve furaram o esquema de segurança da Presidência da República e promoveram um protesto pela reabertura das negociações com o governo federal, nesta sexta-feira, 10. Eles ficaram a cerca de 40 metros do palco onde a presidente Dilma Rousseff discursou no início desta tarde, no lançamento da ampliação do Programa Brasil Sorridente de saúde bucal. No momento há 30 categorias em greve no País.
Com cartazes improvisados, servidores fizeram críticas a Dilma - Marcos de Paulo/AE
Marcos de Paulo/AE
Com cartazes improvisados, servidores fizeram críticas a Dilma
Impedidos de entrar portando faixas ou com camisetas alusivas ao movimento na área reservada para o público, no centro de Rio Pardo de Minas, cidade de cerca de 30 mil habitantes no norte mineiro, os ativistas apelaram para a discrição. Entraram sem alarde, se agruparam à esquerda do palco e, quando Dilma iniciou seu discurso, começaram a gritar palavras de ordem. Seguravam cartazes de papel, improvisados com tinta hidrocor e papel, que tinham trazido escondidos. "A greve continua/Dilma a culpa é sua" foi um dos estribilhos que repetiram os ativistas, de instituições de ensino da região que aderiram à paralisação e também da Universidade Federal Minas Gerais (UFMG).
A presidente procurou manter a calma e evitou olhar na direção dos manifestantes, que foram cercados por PMs e seguranças da Presidência. Defendeu, porém, indiretamente, sua política para enfrentar a greve do funcionalismo. "Este é um País que tem de ser feito para a maioria de seus habitantes. Não pode ser feito só para uma parte deles", disse, entre as vaias dos cerca de 40 ativistas e aplausos de centenas de pessoas.


"Tem de olhar o que é mais importante para o País atender. Hoje, estamos enfrentando uma crise no mundo. O Brasil sabe que pode e vai enfrentar a crise e vai passar por cima dela, assegurando empregos para todos os brasileiros. O que o meu governo vai fazer é assegurar empregos para aquela parte da população que é a mais frágil, que não tem direito à estabilidade",continuou, referindo-se, sem mencioná-los explicitamente, aos servidores. "(A parte) Que sofre porque pode ser muitas vezes desempregada. Não queremos isso. Queremos todos os brasileiros empregados, recebendo seus salários e recebendo serviços públicos de qualidade." Depois de pouco mais de 10 minutos, a presidente encerrou o discurso dizendo-se "sempre muito feliz com essa forma tão amigável como Minas recebe a gente".

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