Julgamento do mensalão entra na reta final sob tensão


MINISTROS BATEM BOCA

Com o fim da apresentação das defesas e o início dos votos pelos ministros, o julgamento do mensalão no STF (Supremo Tribunal Federal) entrou ontem em sua fase decisiva em clima de tensão, embates e discussões entre os próprios ministros.

As polêmicas envolveram até os advogados dos réus.


Depois da apresentação de três advogados da defesa, os ministros passaram a discutir as chamadas preliminares, questões finais e pontuais levantadas pelas defesas.
O auge da tensão aconteceu quando o relator do caso, Joaquim Barbosa, se disse atacado pessoalmente por um pedido de advogados dos réus para que ele fosse excluído da ação.
Baseados em entrevistas do relator, os advogados haviam afirmado que o ministro talvez estivesse mais preocupado com "uma decisão que atenda aos anseios da população, que lhe proporcione reconhecimento social".
Irritado, Barbosa afirmou que a defesa agiu de "má-fé", agrediu a Corte e lhe fez "ataques pessoais".
O ministro chegou a propor envio de ofício à OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) contra os advogados, o que foi negado por quase todos seus colegas.
O relator argumentou: "Cada país tem o modelo e o tipo de Justiça que merece. Justiça que se deixa agredir, ameaçar por determinadas guildas [grupos profissionais]", referindo-se à advocacia. Neste momento, Marco Aurélio o interrompeu, dizendo que não se sentia ameaçado.
Barbosa rebateu: "Claro, Vossa Excelência talvez faça parte ...", sem concluir a frase e logo cortado pelo presidente do STF, Carlos Ayres Britto, que tentou evitar o agravamento da discussão.
O relator continuou: "Lamento muito que nós, brasileiros, tenhamos que carregar certas taras antropológicas, como essa do bacharelismo.
Diante de uma agressão contra um de seus membros, entende que isso não tem importância". Pouco antes, Barbosa, havia começado a proferir seu voto, limitando-se ontem a questões preliminares levantadas por alguns dos 38 advogados dos réus.
Já o ministro Ricardo Lewandowski criticou o julgamento, ao dizer que o calendário lhe foi "imposto".
Folha de S.Paulo

Comentários