Receita e PF investigam se armas apreendidas no Galeão fazem parte de nova rota para tráfico internacional

Pistolas russas avaliadas em cerca de R$ 30 mil vieram dos Estados Unidos

Marcelo Bastos / R7
pistolas-tl
Pistolas foram declaradas como se fossem armas de brinquedo e de tiro esportivo

A Receita Federal e a Polícia Federal investigam se as 11 pistolas apreendidas nesta semana no terminal de cargas dos Correios na Alfândega do Aeroporto Internacional Antônio Carlos Jobim (Galeão), na Ilha do Governador, zona norte do Rio de Janeiro, fazem parte de uma nova rota do tráfico internacional de armas. As pistolas de calibre 9 mm avaliadas em cerca de R$ 30 mil vieram dos Estados Unidos, mas são de fabricação russa.


Segundo Alexandre Cassar, chefe da seção de remessas postais internacionais da Receita Federal, a importação das armas tem características de tráfico.

— Elas foram declaradas como se fossem armas de brinquedo e de tiro esportivo, com valor de US$ 20 cada, quando na verdade valem cerca de US$ 1.200. Além disso, eles enviaram as armas em dias diferentes e destinadas a pessoas diferentes no Rio de Janeiro, São Paulo, Espírito Santo e Santa Catarina. Não são armas de colecionador nem de empresas de segurança, por exemplo, que podem comprar armas no Brasil a preços baixos.

As armas vieram dos Estados do Texas e de Illinois, nos Estados Unidos, enviadas por dois remetentes diferentes. O trabalho da Receita e da Polícia Federal vai se concentrar na identificação dos remetentes no exterior e dos destinatários no Brasil. Para Claudio Rodrigues Ribeiro, inspetor-chefe da Alfândega da Receita Federal no aeroporto, a chance de os endereços serem falsos é grande.

— O nosso serviço de inteligência vai levantar e checar esses endereços, que já sabemos que existem, mas certamente são falsos. Quem encomendou sabe que corria o risco de ter o material interceptado. Já estamos em contato com a aduana dos Estados Unidos para saber quem enviou as armas.

Esta é a segunda vez que os mesmos remetentes enviam armas ao Rio de Janeiro. Em agosto do ano passado, três armas do mesmo modelo, Ekol Firat, foram apreendidas no mesmo terminal.

— Nós acreditamos que as pessoas responsáveis por esse negócio estejam querendo testar a nossa fiscalização. Primeiro enviaram apenas três, mas nós pegamos. Um ano depois, enviaram uma quantidade maior. Esperamos que eles percebam que estamos atentos e parem de tentar enviar armas ao Brasil. Temos uma média de 5.000 encomendas internacionais por dia e todas elas passam por equipamento de scanner.

Aliás, foi através do scanner que os fiscais encontraram as pistolas. Além de a imagem das armas aparecer na tela, a cor azulada no monitor do computador indicaram que eram de metal. Os agentes abriram e verificaram que se tratava de armamento de verdade.

Segundo Claudio Ribeiro, o crime cometido é o de contrabando por se tratar de mercadoria sem autorização para entrar no País. Ele disse que armas podem entrar no País, mas precisam de licença, tanto do Exército Brasileiro quanto da Secretaria de Comércio Exterior, a chamada licença de importação.

Assista ao vídeo:

 

Comentários