Imprensa abafa escândalo de Cabral e Paes que pegaram emprestado jatinho de Eike Batista



O jatinho de Eike Batista
O jatinho de Eike Batista
Vocês já imaginaram o presidente Barack Obama candidato à reeleição nos Estados Unidos ser flagrado em plena campanha eleitoral viajando de carona num jatinho emprestado pelo mega-investidor Warren Buffett, o maior bilionário americano com negócios em áreas que dependem de decisões do governo? Podem estar certos que teria dado adeus à reeleição e a mídia norte-americana estaria trucidando Obama, que deixaria a Casa Branca no final do mandato pela porta dos fundos. São interesses inconciliáveis, ainda que fossem amigos de infância - o que não é o caso. Nenhum americano toleraria um absurdo desses. Obama seria varrido para o limbo da política nos Estados Unidos. 


Pois essa situação hipotética nos Estados Unidos aconteceu ontem aqui no Brasil, bem perto de nós, envolvendo o prefeito Eduardo Paes, candidato à reeleição e seu guru, o governador Sérgio Cabral que pediram emprestado o jatinho do bilionário Eike Batista para irem a Brasília.

E não me venham com desculpas esfarrapadas de que era para um compromisso oficial com a presidente Dilma, ou que Eike emprestou o seu brinquedinho de luxo para colaborar com a organização das Olimpíadas de 2016. Não há justificativa.

O empresário Eike Batista em setembro de 2009 ganhou da prefeitura do Rio, pelas mãos de Eduardo Paes, a Marina da Glória, que vai ser o cenário das provas de Vela nas Olimpíadas de 2016. O maior bilionário brasileiro também está recebendo incentivos fiscais para dois hotéis, o Hotel Glória que está sendo reformado e outro no prédio da antiga sede do Clube de Regatas Flamengo, no Morro da Viúva. Para os dois empreendimentos precisa de alterações na legislação municipal.

É inconcebível que Cabral mais uma vez, agora ele e Eduardo Paes, peçam emprestado o jatinho de Eike Batista. Cabral já jurou de pés juntos que não faria isso de novo, após o trágico episódio da queda do helicóptero em Porto Seguro, quando apesar dos desmentidos de ambas as partes, a imprensa descobriu que o governador viajou para a Bahia no avião do bilionário.

Além do mais, Paes e Cabral poderiam até fretar um jatinho numa empresa de táxi-aéreo alegando que tinham compromissos no Rio e não queriam perder tempo. No máximo seriam criticados pela mordomia, pelo gasto desnecessário. Mas, não. Preferiram recorrer ao amigo bilionário.

Essa opção de Cabral, e principalmente de Paes, que está em plena campanha eleitoral, é ilustrativa, incontestável. Só quem está absolutamente certo da impunidade, de que tem uma retaguarda que lhe garantirá a blindagem, e que nenhuma instituição pegará no pé deles cometeria uma loucura dessas.

Quem procurar essa notícia nos jornais de hoje não vai encontrar uma linha. Logo depois que o nosso blog divulgou a viagem para Brasília no jatinho de Eike Batista, as assessorias de Cabral e Paes dispararam telefonemas para os veículos de comunicação. E o escândalo foi abafado, escondido da opinião pública. Uma vergonha. As instituições do Rio de Janeiro estão mesmo dominadas pela quadrilha do PMDB. 

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