Ira islâmica se agrava e adota novos alvos em 15 países


Novos confrontos, no Egito. Embaixadas invadidas no Sudão; 3 morrem. Obama recebe corpo de funcionários mortos

A onda de revolta iniciada com a divulgação de um vídeo que ridiculariza o profeta Maomé continuou a se alastrar nesta sexta-feira, 14, pelo mundo islâmico, enquanto se diversificavam os alvos dos manifestantes em fúria.

Manifestantes entram em confronto com as forças de segurança, no Cairo, capital do Egito - Khalil Hamra/AP
Khalil Hamra/AP
Manifestantes entram em confronto com as forças de segurança, no Cairo, capital do Egito
Além de missões diplomáticas dos EUA - a quarta foi parcialmente invadida e incendiada ontem, na Tunísia -, embaixadas europeias, redes de fast-food, instalações da ONU e uma escola ocidental entraram na mira dos protestos em pelo menos 15 países do Norte da África e em várias partes da Ásia.
Também ontem, chegaram aos EUA os corpos dos quatro diplomatas americanos mortos na cidade líbia de Benghazi, entre eles o do embaixador Jay Christopher Stevens. "O sacrifício deles jamais será esquecido", afirmou o presidente Barack Obama diante dos caixões.
Em visita ao Líbano, o papa Bento XVI saudou a luta por liberdade e democracia no mundo árabe e islâmico, mas fez um apelo por moderação.
 "O fundamentalismo é sempre uma falsificação da religião", alertou o pontífice.

Tunísia
 Berço da Primavera Árabe, a Tunísia anunciou que pelo menos 2 pessoas morreram e cerca de 30 ficaram feridas após manifestantes entrarem no complexo da embaixada dos EUA em Túnis. Uma escola americana na mesma rua foi atacada, saqueada e incendiada pela multidão.
Sudão
Embaixadas da Alemanha e da Grã-Bretanha foram também invadidas na capital do Sudão , Cartum. Segundo testemunhas, no lugar das bandeiras nacionais foram hasteados símbolos islâmicos e o fogo tomou conta de parte dos prédios. Forças sudanesas deslocaram centenas de policiais e conseguiram isolar a missão americana, mas pelo menos três morreram nos confrontos.
Líbano
No Líbano, uma loja da rede de fast-food KFC foi depredada em Trípoli, cidade marcada pela divisão sectária, e uma pessoa morreu enquanto a polícia tentava controlar a multidão. Pelo menos 25 pessoas ficaram feridas.
Iêmen
Temendo pela segurança de seus funcionários no Iêmen, a Casa Branca anunciou o envio de um contingente de marines para reforçar a segurança da embaixada, invadida na quinta-feira. Mais de 2 mil manifestantes tentaram se aproximar do local, mas foram recebidos pela polícia com bombas de gás lacrimogêneo e disparos para o alto.
Egito
O governo do Egito tentou aliviar a tensão com os EUA, após a Irmandade Muçulmana ter convocado um protesto de "um milhão" para a Praça Tahrir ontem, sem imediatamente condenar os ataques à embaixada americana. Duas manifestações ocorreram ontem no centro do Cairo, mas o presidente Mohamed Morsi lançou um comunicado convocando egípcios a protegerem missões estrangeiras no país.
Um posto de observação da ONU na Península do Sinai foi alvo de beduínos.

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